Os presidentes do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, e da Rússia, Vladimir Putin, realizaram uma conversa telefônica nesta quarta-feira, 14 de janeiro de 2026, para discutir a grave situação na Venezuela. O diálogo ocorreu após os recentes ataques militares dos Estados Unidos ao país e o sequestro do presidente venezuelano, Nicolás Maduro.
Alinhamento contra a intervenção estrangeira
Em comunicado divulgado pelo Kremlin, os dois líderes demonstraram uma posição conjunta firme. Eles enfatizaram as abordagens fundamentais compartilhadas pela Rússia e pelo Brasil em relação à garantia da soberania e dos interesses nacionais da Venezuela. O Itamaraty confirmou a ocorrência da ligação, validando as informações vindas de Moscou.
Ambos os mandatários foram contundentes em suas críticas à ação liderada pelos Estados Unidos. Classificaram a invasão e a captura de Maduro como uma violação clara do direito internacional. Lula, em declarações anteriores já citadas, havia afirmado que a ação "ultrapassou a linha do aceitável", configurando um precedente perigoso para a estabilidade global.
Coordenação em fóruns multilaterais
Além da condenação, Lula e Putin buscaram caminhos para uma solução diplomática. Eles concordaram em continuar coordenando esforços, tanto no âmbito das Nações Unidas quanto por meio do grupo BRICS, com o objetivo de reduzir as tensões na América Latina e em outras regiões do mundo afetadas por conflitos.
A conversa também serviu para tratar de temas bilaterais. Os presidentes discutiram detalhes sobre o desenvolvimento da cooperação entre Rússia e Brasil em diversas áreas. Os preparativos para a próxima reunião da Comissão de Alto Nível entre os dois países, marcada para fevereiro de 2026, estiveram na pauta.
Repercussão e próximos passos
A posição assumida por Brasil e Rússia reforça um eixo diplomático crítico à intervenção unilateral. A declaração de Lula, relembrada no contexto da ligação, deixa claro o temor de que ações desse tipo pavimentem um caminho para um "mundo de violência, caos e instabilidade".
A coordenação via BRICS e ONU será o próximo passo prático dessa parceria, indicando que os dois países pretendem transformar a crítica em ação nos fóruns multilaterais. O desfecho da crise venezuelana e a reação da comunidade internacional continuam sendo os principais pontos de observação nos próximos dias.