Trump convida Lula para conselho de paz em Gaza; decisão sai na semana
Lula é convidado por Trump para conselho de paz em Gaza

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, convidou formalmente o mandatário brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, para integrar um conselho internacional voltado para a paz e a reconstrução da Faixa de Gaza. O anúncio da criação do colegiado foi feito pelo líder americano nas redes sociais neste sábado.

Os detalhes do convite e do conselho

Segundo informações divulgadas, o chamado "conselho de paz" é uma peça central da segunda fase do plano apoiado por Washington para terminar o conflito no território palestino. O projeto de estatuto prevê um mandato de três anos para os membros, com uma exceção curiosa: aqueles que contribuírem com US$ 1 bilhão em dinheiro vivo teriam regras diferenciadas.

Trump não poupou elogios à iniciativa, declarando com certeza que se trata "do maior e mais prestigiado conselho já reunido em qualquer momento e lugar". O próprio presidente americano vai presidir o órgão, que também contará com a participação do secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, e do ex-primeiro-ministro britânico, Tony Blair.

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Além de Lula, outros nomes confirmados no convite são o presidente da Argentina, Javier Milei, que já aceitou e classificou a participação como "uma honra", o bilionário americano Marc Rowan e Robert Gabriel, assistente de Trump no Conselho de Segurança Nacional.

A delicada decisão de Lula

Fontes próximas ao Planalto informam que Lula ainda não deu uma resposta ao convite e só deve avaliar se aceita ou não participar na próxima semana. O governo brasileiro só se manifestará oficialmente após a decisão do presidente.

A posição coloca Lula em um cenário diplomático complexo. Desde o início dos ataques a Gaza, em outubro de 2023, o brasileiro tem sido um crítico vocal das operações militares de Israel, defendendo um cessar-fogo imediato e a criação de um Estado palestino. Aceitar o convite de Trump, um conhecido apoiador de Israel, pode gerar cobranças sobre a coerência dessas críticas.

Outro ponto sensível é o fato de o conselho não estar vinculado diretamente à Organização das Nações Unidas (ONU), fórum que o Brasil historicamente defende como o canal central para mediação de conflitos internacionais.

Os riscos de uma recusa

Por outro lado, recusar o convite também traz custos políticos. Trump lidera pessoalmente o colegiado e busca apoio internacional para legitimar a iniciativa. Uma negativa de Lula poderia desagradar o presidente americano, com quem o Brasil vem ensaiando uma aproximação, especialmente após as negociações sobre tarifas para produtos exportados.

Setores da comunidade internacional podem ainda criticar o Brasil caso o país se recuse a integrar um fórum voltado explicitamente para a reconstrução de Gaza, o que pareceria contraditório com o discurso brasileiro em prol da paz e da diplomacia multilateral.

Paralelamente à criação do conselho, Trump também designou, na sexta-feira, o major-general americano Jasper Jeffers para comandar a Força Internacional de Estabilização (ISF) em Gaza. A missão dessa força será manter a segurança no território e treinar uma nova polícia para suceder o Hamas.

A decisão final de Lula, portanto, é aguardada com expectativa tanto no cenário doméstico quanto no internacional, pois sinalizará os rumos do posicionamento brasileiro em um dos conflitos mais delicados do mundo.

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