Trump convida Lula para Conselho de Paz em Gaza: veja os nomes
Lula é convidado por Trump para Conselho de Paz em Gaza

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, convidou formalmente o mandatário brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, para fazer parte do recém-criado "Conselho da Paz" para a Faixa de Gaza. A informação, noticiada inicialmente pelo ICL e confirmada pela revista VEJA, foi divulgada neste sábado, 17 de janeiro de 2026.

Até o momento, o governo brasileiro não emitiu uma posição oficial sobre o convite. A iniciativa norte-americana visa estabelecer uma estrutura para discutir e gerir a governança, as relações regionais e, principalmente, o complexo processo de reconstrução do território palestino, devastado após meses de conflito intenso.

Quem mais integra o grupo?

A lista de convidados por Trump inclui outras figuras de peso no cenário global. O presidente da Argentina, Javier Milei, e o líder da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, também receberam o convite para serem membros fundadores do conselho.

Milei já agradeceu publicamente nas redes sociais, classificando a participação como "uma honra". Ele afirmou que a Argentina estará sempre ao lado dos países que combatem o terrorismo e promovem a paz e a liberdade.

Além deles, Trump nomeou como membros fundadores seu secretário de Estado, Marco Rubio, e o ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair. O primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, também foi convidado e já teria aceitado a participação, segundo fontes do governo canadense ouvidas pela agência Bloomberg.

Composição e objetivos do Conselho

O "conselho executivo fundador" será composto por sete integrantes. A presidência do órgão ficará com o próprio Donald Trump. A lista completa dos membros inclui:

  • Steve Witkoff, enviado especial presidencial para o Oriente Médio.
  • Ajay Banga, presidente do Banco Mundial.
  • Jared Kushner, genro do presidente americano.
  • O bilionário americano Marc Rowan.
  • Robert Gabriel, assistente de Trump no Conselho de Segurança Nacional.

Segundo a Casa Branca, a função central do conselho será estabelecer a estrutura e administrar o financiamento para a reconstrução de Gaza. A ação ocorrerá enquanto a Autoridade Palestina conclui um programa de reformas, baseado em propostas como o plano de paz de Trump de 2020 e a iniciativa saudita-francesa.

O órgão pretende implementar um plano de desenvolvimento para "reconstruir e energizar Gaza", convocando especialistas com experiência em desenvolvimento urbano no Oriente Médio. A proposta também prevê a criação de uma zona econômica especial com tarifas preferenciais.

Contexto do cessar-fogo e crise humanitária

A criação deste conselho segue o anúncio da segunda fase do cessar-fogo em Gaza, que está em vigor desde 10 de outubro do ano passado. Esta nova etapa prevê explicitamente o desarmamento do grupo Hamas e o início dos trabalhos de reconstrução.

Steve Witkoff, assessor de Trump, advertiu na rede social X que os Estados Unidos esperam que o Hamas cumpra todas as suas obrigações, incluindo a devolução imediata do último refém falecido. O não cumprimento, segundo ele, trará "sérias consequências".

Paralelamente, foi formado um comitê tecnocrático palestino de 15 pessoas, que governará temporariamente Gaza no dia a dia. Este grupo será supervisionado pelo Conselho da Paz e liderado pelo ex-vice-ministro palestino Ali Shaath. A coordenação entre as duas estruturas ficará a cargo do diplomata búlgaro Nickolay Mladenov.

Apesar da trégua, a situação no terreno permanece extremamente delicada. Israel e o Hamas continuam a se acusar mutuamente de violar os termos do acordo. Dados de autoridades de saúde em Gaza indicam que mais de 400 palestinos morreram em supostos ataques israelenses desde o início do cessar-fogo.

A crise humanitária é avassaladora. Um relatório da Classificação Integrada das Fases da Segurança Alimentar (IPC), apoiado pela ONU, alertou no final de dezembro que cerca de 100 mil pessoas ainda enfrentam condições catastróficas de fome (Fase 5, o nível mais alto).

Os números da destruição são chocantes: os escombros em Gaza têm um volume estimado em 12 vezes o da Grande Pirâmide de Gizé. Cerca de 80% dos edifícios do enclave foram danificados ou destruídos. O conflito deslocou aproximadamente 1,9 milhão de pessoas, o que representa 90% da população de Gaza. Em comparação, em Israel, cerca de 100.000 pessoas tiveram que deixar suas casas.

O convite a Lula coloca o Brasil em um papel de destaque em uma das negociações de paz mais complexas e urgentes do mundo, enquanto a comunidade internacional busca caminhos para a estabilização e a reconstrução de um território em ruínas.