Kast nomeia defensores de Pinochet para ministérios no Chile e gera polêmica
Kast nomeia defensores de Pinochet para ministérios no Chile

Presidente eleito do Chile nomeia defensores de Pinochet para ministérios e gera controvérsia

O presidente eleito do Chile, José Antonio Kast, anunciou nesta terça-feira (20) a escolha de dois advogados que atuaram na defesa do ditador Augusto Pinochet para cargos ministeriais em seu futuro governo. As nomeações, que incluem os ministérios da Defesa e dos Direitos Humanos, provocaram uma forte reação de organizações de familiares de detidos desaparecidos e de executados políticos da ditadura militar chilena, que durou de 1973 a 1990.

Detalhes das nomeações e reações imediatas

Segundo informações divulgadas pelo jornal El País, os indicados são Fernando Barros Tocornal, de 68 anos, que assumirá o Ministério da Defesa, e Fernando Rabat, de 53 anos, nomeado para comandar a pasta da Justiça e Direitos Humanos. Estes dois nomes fazem parte de um total de 23 anunciados nesta terça-feira, em uma movimentação que Kast descreveu como "uma grande equipe para tempos difíceis".

A escolha de advogados ligados a Pinochet, no entanto, foi recebida com críticas acirradas. Organizações que representam vítimas da ditadura expressaram preocupação com a nomeação, lembrando que o regime de Pinochet deixou um legado de mais de 3.200 mortos ou desaparecidos, além de ter torturado ou preso dezenas de milhares de pessoas.

Contexto histórico e político de Kast

José Antonio Kast, que é conhecido por sua admiração por Augusto Pinochet, venceu a eleição presidencial chilena em dezembro passado com uma ampla vantagem. Sua plataforma de campanha inclui propostas polêmicas em diversas áreas, o que tem gerado debates intensos no país.

Entre as principais promessas de Kast para o Chile estão:

  • Implementação de regras trabalhistas mais flexíveis e corte de impostos para empresas.
  • Endurecimento do combate ao crime, inspirado no modelo de mega-prisões de El Salvador.
  • Expulsão de cerca de 340 mil imigrantes sem documentos, com um prazo de 92 dias para saída voluntária.

O presidente eleito afirmou que, após esse prazo, imigrantes irregulares que solicitarem serviços públicos serão registrados e convidados a deixar o país. Esta medida, juntamente com as nomeações ministeriais, reflete uma agenda conservadora que promete transformações significativas no cenário político e social chileno.

Impacto e expectativas para o futuro governo

As nomeações de Fernando Barros Tocornal e Fernando Rabat não apenas reacendem debates sobre o passado ditatorial do Chile, mas também sinalizam a direção que Kast pretende tomar em seu mandato. A combinação de políticas econômicas liberais com uma postura dura em segurança e imigração deve manter o país no centro das atenções internacionais.

Enquanto isso, as organizações de direitos humanos continuam a monitorar de perto essas decisões, temendo um retrocesso nas conquistas democráticas. O governo de Kast, que assume em breve, enfrentará o desafio de equilibrar suas promessas de campanha com as demandas por justiça e memória histórica no Chile.