Chile: Kast anuncia 'Lei Tutti Frutti' com 40 medidas para impulsionar economia
Kast anuncia pacote com 40 medidas para economia do Chile

Presidente chileno anuncia pacote econômico ambicioso com mais de 40 medidas

O presidente do Chile, José Antonio Kast, anunciou nesta quarta-feira, 16 de abril de 2026, um amplo pacote de reformas econômicas batizado de "Lei Tutti Frutti" que reúne mais de 40 medidas distintas. O objetivo declarado é impulsionar a economia nacional e romper o que o mandatário classificou como ciclo de estagnação que afeta o país.

Medidas principais do pacote econômico

Em pronunciamento televisionado desde o Palácio Presidencial de La Moneda, em Santiago, Kast detalhou as principais iniciativas do projeto que será enviado ao Congresso nos próximos dias. A proposta inclui redução gradual do imposto de renda das empresas de 27% para 23%, aproximando-se da média de países desenvolvidos.

Segundo estimativas do governo chileno, aproximadamente 150 mil empresas seriam beneficiadas com essa medida. O pacote também prevê redução temporária do IVA sobre imóveis novos, incentivos à repatriação de capitais e reconstrução de mais de mil moradias destruídas por incêndios florestais que assolaram diversas regiões do país.

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Metas econômicas e resistência política

A administração Kast estabeleceu metas ambiciosas para os próximos anos: reduzir o desemprego para 6,5% até 2030 e elevar o crescimento econômico para cerca de 4% ao ano, superando significativamente os 2,5% registrados no ano anterior. O presidente também prometeu alcançar equilíbrio nas contas públicas ao final de seu mandato.

No entanto, o pacote enfrenta forte resistência da oposição parlamentar. Constanza Martínez, representante da coalizão de esquerda, criticou a proposta afirmando que beneficia principalmente os setores de maior renda enquanto reduz recursos para políticas públicas essenciais. "Enquanto promove reduções de impostos que favorecem os mais ricos, o governo corta gastos que poderiam beneficiar a classe média e trabalhadora", declarou à agência de notícias AFP.

Contexto político e estratégia legislativa

Analistas políticos avaliam que a estratégia de reunir diversas medidas em um único projeto busca aumentar as chances de aprovação no Congresso. Embora a direita tenha maior presença no Parlamento chileno, o governo não possui maioria suficiente para aprovar o pacote sem negociações e concessões.

O ministro da Fazenda, Jorge Quiroz, defendeu a proposta argumentando que a redução tributária não favorece apenas os mais ricos, mas estimula o investimento produtivo. "É um imposto que se reduz para que as empresas tenham mais recursos para investir, gerar empregos e impulsionar a economia", afirmou o ministro.

Herança do governo anterior e medidas recentes

A atual administração herdou um cenário econômico desafiador do governo anterior liderado por Gabriel Boric. Segundo dados oficiais, o país acumulou déficits fiscais por três anos consecutivos, enquanto a dívida pública ultrapassou 40% do Produto Interno Bruto (PIB).

Desde que assumiu o cargo em março de 2026, Kast já implementou diversas medidas de ajuste, incluindo cortes de gastos em ministérios, revisão de regulações ambientais e mudanças em fundos que amorteciam o preço dos combustíveis. Essas decisões tiveram impacto direto no custo de vida da população, com os preços dos combustíveis chegando a subir até 60% em algumas regiões.

O presidente reforçou o caráter emergencial de sua gestão durante o anúncio: "Este é o governo de emergência que prometemos. Não era retórica, são fatos concretos que vão mudar a vida de milhões de chilenos". A aprovação do pacote econômico no Congresso será o próximo grande teste político para a administração Kast.

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