Irã utilizou satélite chinês para identificar e atacar bases americanas no Oriente Médio
Irã usou satélite chinês para atacar bases dos EUA

Irã utilizou satélite chinês para identificar e atacar bases americanas no Oriente Médio

Uma investigação do jornal britânico Financial Times revelou nesta quarta-feira, 14 de abril de 2026, que o Irã utilizou um satélite espião de origem chinesa para coordenar ofensivas contra bases dos Estados Unidos no Oriente Médio. A descoberta ocorre em um momento de crescente tensão diplomática entre Washington e Pequim, com os americanos expressando preocupação sobre o possível apoio da China a Teerã.

Aquisição secreta e capacidades militares

De acordo com o levantamento do FT, a Guarda Revolucionária Islâmica do Irã adquiriu, através de um acordo secreto no final de 2024, um satélite TEE-01B da empresa chinesa Earth Eye Co. Embora a companhia afirme em seu site que o equipamento foi projetado para fins civis como agricultura, monitoramento oceânico e gestão de emergências, as investigações apontam que Teerã tem utilizado o satélite exclusivamente para propósitos militares.

Listas de coordenadas com registro de data e hora, imagens de satélite e análises orbitais demonstram que as Forças Armadas iranianas incumbiram o TEE-01B de monitorar bases militares americanas em diferentes regiões do Golfo Pérsico. Em março de 2026, o satélite foi utilizado para registrar imagens de locais estratégicos como:

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  • Base Aérea Príncipe Sultan, na Arábia Saudita
  • Base Aérea Muwaffaq Salti, na Jordânia

Essas imagens foram capturadas antes e depois de ataques promovidos pelo Irã, indicando o uso direto do equipamento para orientação de bombardeios.

Vantagens tecnológicas e operacionais

O satélite chinês oferece capacidades significativamente superiores aos equipamentos militares iranianos atualmente em órbita. Enquanto os satélites domésticos do Irã possuem capacidade de captura de imagens muito reduzida, sendo incapazes de identificar aeronaves ou monitorar bases militares com precisão, o TEE-01B fornece imagens de alta resolução essenciais para operações militares.

Outra vantagem estratégica importante é que o satélite é operado por uma estação terrestre na China, e não no Irã, ficando assim fora do alcance de possíveis ataques por inimigos do regime islâmico. Esta configuração operacional oferece uma camada adicional de proteção ao equipamento de vigilância.

Tensões diplomáticas entre EUA e China

A revelação ocorre em um contexto de crescente preocupação dos Estados Unidos sobre o apoio chinês ao Irã. Em entrevista à Fox Business Network, o presidente americano Donald Trump revelou ter enviado uma carta ao presidente da China, Xi Jinping, pedindo que seu governo não fornecesse armas ao Irã.

"Eu tinha ouvido que a China estava fornecendo armas para, quero dizer — você vê isso em todas as partes —, ao Irã", disse Trump na entrevista gravada na terça-feira e exibida na manhã de quarta-feira, 15 de abril. "E eu escrevi uma carta para ele pedindo que não fizesse isso, e ele me escreveu uma carta dizendo, basicamente, que não está fazendo".

Na semana passada, a emissora americana CNN noticiou que informações coletadas por agências de inteligência dos Estados Unidos indicaram que a China estaria se preparando para entregar novos sistemas de defesa aérea ao Irã dentro das próximas semanas. Esta medida é vista como particularmente provocativa por Washington, considerando que Pequim ajudou a intermediar a frágil trégua acordada recentemente, que suspendeu ataques diretos entre Irã e EUA.

Estratégias de ocultação e implicações regionais

Duas fontes ouvidas pela CNN afirmam que há indícios de que a China estaria tentando desviar as remessas de armamentos por meio de outros países para ocultar a verdadeira origem dos equipamentos. Esta estratégia de ocultação aumenta as preocupações sobre a extensão real do apoio chinês ao programa militar iraniano.

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A utilização do satélite chinês TEE-01B pelo Irã representa uma evolução significativa nas capacidades de inteligência militar do país no Oriente Médio. Com acesso a imagens de satélite de alta qualidade e operação protegida em território chinês, o Irã amplia sua capacidade de monitorar movimentos americanos na região e coordenar ataques com maior precisão.

Esta situação coloca os Estados Unidos em uma posição delicada, tendo que equilibrar suas relações com a China — uma potência econômica global — enquanto enfrenta ameaças militares crescentes de um Irã cada vez mais equipado tecnologicamente. O episódio do satélite espião chinês utilizado pelo Irã promete ser um ponto central nas negociações diplomáticas entre Washington e Pequim nos próximos meses.