Irã intensifica repressão com novas condenações à morte por protestos
O governo do Irã anunciou nesta terça-feira, 14 de janeiro, a condenação à morte de mais quatro manifestantes envolvidos nos levantes populares que abalaram o país no início do ano. Entre os condenados está Bita Hemmati, que se tornará a primeira mulher a ser executada por enforcamento devido à sua participação nos protestos contra o regime iraniano. A sentença foi divulgada em conjunto com a de seu marido, Mohammadreza Majidi Asl, e outros dois homens, Behrouz Zamaninezhad e Kourosh Zamaninezhad.
Acusações e contexto das condenações
Os quatro indivíduos foram acusados de uma série de crimes graves, conforme alegado pelas autoridades iranianas. As acusações incluem:
- Uso de explosivos e armas durante os protestos
- Agressão às forças de segurança que patrulhavam as áreas afetadas
- Arremesso de objetos, como garrafas, blocos de concreto e materiais incendiários, a partir dos telhados de edifícios
- Destruição de propriedade pública
- Participação ativa em manifestações de protesto
- Entoação de slogans contra o governo
- Perturbação da segurança nacional
- Conexão com grupos considerados hostis ao regime
- Envio de conteúdo com o objetivo de minar a segurança do Estado
O Conselho Nacional da Resistência do Irã (CNRI), grupo de oposição ao governo, emitiu um comunicado detalhando a situação. Segundo a organização, os quatro condenados foram presos durante a revolta em Teerã e submetidos a tortura e interrogatórios severos. Eles foram julgados de forma sumária pela 26ª Vara do Tribunal Revolucionário de Teerã, que também ordenou o confisco de todos os seus bens.
Escalada da repressão e números alarmantes
Estas novas condenações ocorrem em um contexto de crescente repressão por parte do regime iraniano. Até o momento, sete pessoas já foram executadas por sua ligação com os protestos, que, segundo ativistas de direitos humanos, foram reprimidos com extrema violência, resultando em milhares de mortos e dezenas de milhares de detidos.
As manifestações, que começaram como uma reação ao alto custo de vida, rapidamente se transformaram em um movimento nacional de oposição ao governo, atingindo seu ápice nos dias 8 e 9 de janeiro. Grupos de direitos humanos, como a Iran Human Rights (IHR) e a Together Against the Death Penalty (ECPM), alertam que o Irã está utilizando a pena de morte como uma ferramenta de repressão para instilar medo na sociedade.
Em seu relatório anual conjunto, divulgado neste mês, essas organizações revelaram que pelo menos 1.639 pessoas foram executadas no Irã em 2025, incluindo 48 mulheres. Além dos sete já executados, sentenças de morte foram proferidas contra pelo menos outras 26 pessoas relacionadas aos protestos, e centenas mais enfrentam acusações que podem levar à pena capital.
Apelos internacionais e preocupações
O CNRI fez um apelo urgente à Organização das Nações Unidas (ONU) e a outros órgãos internacionais, solicitando intervenção para salvar a vida dos quatro condenados e de outros prisioneiros políticos. A condenação de Bita Hemmati é vista como um marco sem precedentes, destacando a severidade da resposta do regime às dissidências.
Especialistas temem que o número de execuções possa aumentar significativamente após os recentes conflitos envolvendo Israel e os Estados Unidos, com o governo iraniano buscando consolidar seu controle interno através de medidas drásticas. A situação continua a gerar preocupação global sobre os direitos humanos e a liberdade de expressão no país.



