Diretora de Inteligência dos EUA avalia situação do Irã após operações militares
A diretora de Inteligência Nacional dos Estados Unidos, Tulsi Gabbard, declarou nesta quarta-feira, 18 de março de 2026, que o Irã continua sendo uma ameaça capaz de atacar interesses americanos e de seus aliados no Oriente Médio, mesmo após ter sido significativamente enfraquecido pelas operações militares recentes. As afirmações foram feitas durante uma audiência do Comitê de Inteligência do Senado sobre Ameaças Globais, realizada no Capitólio, em Washington D.C.
Capacidade militar iraniana após "Operação Epic Fury"
De acordo com Gabbard, o regime iraniano "parece estar intacto, mas em grande parte enfraquecido pela Operação Epic Fury". Ela explicou aos parlamentares que, apesar da degradação estratégica sofrida por Teerã em decorrência do conflito, a estrutura de sustentação do governo permanece funcional. "Mesmo assim, o Irã e seus parceiros continuam capazes de atacar interesses dos EUA e de seus aliados no Oriente Médio e continuam a fazê-lo", afirmou a diretora.
Gabbard destacou que, caso sobreviva às pressões atuais, o regime iraniano deverá iniciar "um esforço de anos para reconstruir suas forças armadas, mísseis e drones", indicando que a recuperação militar seria um processo prolongado e complexo.
Revelações sobre o programa nuclear iraniano
Questionada especificamente sobre o estado do programa nuclear iraniano, a diretora de Inteligência reafirmou que os ataques conjuntos de Estados Unidos e Israel em junho de 2025 - conhecidos como "Operação Martelo da Meia-Noite" - devastaram completamente a infraestrutura atômica do país. No entanto, ela acrescentou uma informação crucial: a inteligência americana concluiu que o Irã não estava reconstruindo suas capacidades de enriquecimento nuclear destruídas na ocasião.
"Como resultado da Operação Martelo da Meia-Noite, o programa nuclear iraniano foi aniquilado. Desde então, não houve esforços para reconstruir sua capacidade de enriquecimento", declarou Gabbard durante a audiência.
Esta conclusão contradiz diretamente as justificativas apresentadas pelo presidente Donald Trump para a guerra, que começou em 28 de fevereiro de 2026. Trump tem afirmado repetidamente que os ataques americanos eram necessários para conter uma "ameaça iminente" e que o regime iraniano estava a poucas semanas de obter uma bomba atômica.
Contradições na justificativa para a guerra
A análise da inteligência americana, compartilhada por escrito em um relatório anual de ameaças, indica que não havia evidências de reconstrução do programa nuclear iraniano desde junho de 2025. Quando questionada sobre por que esta informação não foi destacada durante sua apresentação inicial, Gabbard respondeu que não teve tempo suficiente para ler o relatório completo durante a audiência, embora não tenha negado a validade da análise.
Esta revelação coloca em dúvida as afirmações de Trump de que "dentro de duas semanas eles teriam uma arma nuclear" se os Estados Unidos não tivessem atacado, conforme declarou o presidente republicano a repórteres no dia 4 de março.
Contexto político e renúncia de autoridade
A audiência ocorre em um momento político delicado, logo após a renúncia de Joe Kent, chefe do Centro Nacional de Contraterrorismo (NCTC), na terça-feira, 17 de março. Kent justificou sua decisão afirmando que "o Irã não representava uma ameaça iminente à nossa nação", posicionando-se contra a guerra em curso.
Gabbard, que era superior imediata de Kent, publicou uma declaração após sua saída, afirmando que Trump, como comandante-em-chefe, "é responsável por julgar o que é e o que não é uma ameaça iminente". A postura neutra da diretora, sem emissão de uma opinião particular, foi considerada incomum por muitos observadores.
A diretora de Inteligência, ex-candidata nas primárias do Partido Democrata em 2020, apoiou Trump nas eleições de 2024, defendendo que o republicano impediria os Estados Unidos de serem arrastados para guerras no exterior. Esta posição contrasta com seu histórico como crítica ferrenha de guerras de "mudança de regime".
Conclusões sobre a situação atual
As declarações de Tulsi Gabbard ao Comitê de Inteligência do Senado revelam:
- O Irã mantém capacidade operacional para atacar interesses americanos e aliados, apesar do enfraquecimento militar
- O programa nuclear iraniano foi destruído em junho de 2025 e não está sendo reconstruído
- Existem contradições entre as avaliações da inteligência e as justificativas presidenciais para a guerra
- A comunidade de inteligência americana enfrenta divisões internas sobre a condução do conflito
A situação continua em desenvolvimento, com implicações significativas para a política externa dos Estados Unidos e a estabilidade no Oriente Médio.



