Embaixador iraniano destaca apoio brasileiro em meio a escalada de conflito no Oriente Médio
O embaixador do Irã no Brasil, Abdollah Nekounam, expressou publicamente nesta segunda-feira, 2 de março de 2026, o agradecimento de Teerã pela posição adotada pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A declaração brasileira, que condenou os ataques realizados por Estados Unidos e Israel contra território iraniano no último sábado, foi classificada pelo diplomata como uma "ação valorosa" em defesa de princípios fundamentais.
Posição brasileira recebe elogios públicos
Em coletiva de imprensa realizada na embaixada iraniana em Brasília, Nekounam afirmou: "Recebemos a declaração do governo brasileiro sobre os ataques contra o Irã e agradecemos a condenação do ato de agressão dos EUA. Vemos essa posição como valorosa, pois reafirma valores humanos, soberania e independência dos governos". Segundo o embaixador, a manifestação oficial do Itamaraty representa uma defesa clara da soberania nacional, da integridade territorial e dos direitos humanos.
O Ministério das Relações Exteriores brasileiro havia divulgado no sábado uma nota expressando "grave preocupação" diante da ofensiva militar e condenando explicitamente os ataques contra o Irã. O comunicado oficial apelou para que todas as partes envolvidas no conflito respeitem o direito internacional e exerçam "máxima contenção", com o objetivo de evitar a escalada das hostilidades e proteger civis inocentes.
Direito de defesa e respostas ilimitadas
Na avaliação apresentada pelo representante iraniano, o Irã foi vítima de uma ofensiva militar injustificada e agora exerce seu "direito legítimo de defesa". Nekounam foi enfático ao declarar que não haverá limites para as respostas iranianas enquanto os ataques persistirem: "Fomos atacados e estamos nos defendendo. Não há restrição às nossas respostas diante das ações dos EUA e do regime sionista. Se formos atingidos, responderemos de forma firme".
O diplomata ainda classificou como "ataque criminoso" um bombardeio específico que, segundo autoridades iranianas, resultou na morte de mais de 170 meninas em uma escola no país. De acordo com Nekounam, este episódio trágico tornou inevitável uma reação de maior escala por parte do governo iraniano.
Contexto diplomático e iniciativas brasileiras
Enquanto a crise no Oriente Médio se agrava rapidamente, o presidente Lula manteve conversas nesta segunda-feira com o assessor especial da Presidência, Celso Amorim, para avaliar possíveis iniciativas diplomáticas que o Brasil poderia empreender. Entre as opções em discussão está uma atuação mais intensa do Itamaraty na tentativa de contribuir para o arrefecimento da crise e a busca por soluções negociadas.
A atual escalada de conflito começou no sábado, quando forças dos Estados Unidos e de Israel realizaram ataques coordenados contra alvos estratégicos no Irã, justificando a ação como necessária para conter ameaças ligadas ao programa nuclear iraniano. A ofensiva resultou na morte do líder supremo Ali Khamenei, além de outras autoridades militares de alto escalão.
Consequências regionais e internacionais
Em resposta imediata aos ataques, o Irã lançou mísseis e drones contra Israel e bases americanas na região, ampliando rapidamente o confronto e elevando a preocupação internacional com os impactos econômicos e geopolíticos da crise. O embaixador iraniano também comentou o fechamento do Estreito de Ormuz, rota estratégica por onde passa parcela significativa do petróleo transportado no mundo.
Segundo Nekounam, a liderança iraniana já havia alertado previamente que qualquer ofensiva militar poderia desencadear uma crise de alcance regional. Para Teerã, o bloqueio desta via marítima crucial é consequência direta da decisão americana e israelense de iniciar os bombardeios.
Negociações nucleares suspensas
O diplomata iraniano afirmou ainda que as negociações para retomar o acordo nuclear foram interrompidas após a escalada militar. Ele acusou Washington de usar as conversas diplomáticas como "farsa" e de buscar secretamente a mudança do regime iraniano. De acordo com Nekounam, o Irã já havia respondido satisfatoriamente aos questionamentos apresentados pela Agência Internacional de Energia Atômica antes do início dos ataques.
A situação permanece extremamente volátil, com temores crescentes de que o conflito possa se expandir para outros países da região. A comunidade internacional acompanha com apreensão os desdobramentos, enquanto o Brasil busca posicionar-se como um ator diplomático relevante na mediação desta crise complexa.
