No primeiro sábado do ano, 7 de janeiro de 2026, as forças militares dos Estados Unidos realizaram uma intervenção direta em Caracas, capital da Venezuela. A ação resultou na captura do presidente Nicolás Maduro, marcando um ponto de virada dramático na crise política e humanitária do país.
Reações imediatas e polarização no Brasil
O evento desencadeou reações imediatas e antagônicas no cenário político brasileiro. Enquanto setores da direita comemoraram a ação, enxergando nela uma suposta "volta da democracia na Venezuela", o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e aliados petistas condenaram a medida. O governo brasileiro classificou a invasão ordenada por Donald Trump como um "precedente extremamente perigoso" para a soberania das nações.
O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) seguiu a mesma linha crítica, chamando o presidente norte-americano de "o maior pirata da atualidade". A polarização nacional, que já tinha a Venezuela como um de seus principais símbolos, atingiu um novo patamar de intensidade.
Os novos rumos da intervenção norte-americana
Contudo, o desenrolar dos fatos após a captura de Maduro tomou um rumo que desafiou as narrativas iniciais. Em vez de simplesmente "liberar o povo venezuelano", conforme propagado pelos discursos bolsonaristas, a administração Trump assumiu o controle direto do cenário político do país.
Donald Trump nomeou uma nova "síndica" para gerir a transição e, em uma jogada que mistura interesses geopolíticos e econômicos, reivindicou 50 milhões de barris de petróleo venezuelano como parte do processo. Essa movimentação prática fez com que, ironicamente, Trump tirasse de Lula o título simbólico de "padroeiro da ditadura chavista", um epíteto frequentemente usado pela oposição brasileira para criticar o apoio petista ao regime de Maduro.
Mudança de postura e uma inesperada convergência
Diante da nova realidade imposta, a postura do Palácio do Planalto começou a se modificar. O discurso inicial de defesa intransigente da soberania venezuelana deu lugar a um ensaio de parceria com os Estados Unidos no apoio ao novo regime que se estabelece em Caracas.
O artigo original, escrito por Robson Bonin, compara a situação ao "realismo mágico da guerra entre conservadores e liberais na Macondo de Gabriel García Márquez". A observação se mostra precisa: em nome de uma transição sem data definida e sem roteiro claro, Trump passou a repetir a postura antes criticada em Lula, desprezando a oposição venezuelana tradicional e ignorando, na prática, as graves violações de direitos humanos, a miséria, a corrupção endêmica e a perseguição política que assolam o país.
O resultado é um cenário surreal onde, conforme aponta a análise, bolsonaristas e petistas podem parar de brigar em relação à Venezuela. A tolerância com a velha estrutura do chavismo, agora sob nova gestão, demonstra não ter coloração partidária, revelando as complexas e muitas vezes pragmáticas engrenagens das relações internacionais.