O secretário de Guerra dos Estados Unidos, Pete Hegseth, compareceu nesta quarta-feira (29) ao Congresso norte-americano para enfrentar questionamentos sobre a guerra no Irã. Esta é a primeira vez que Hegseth responde a perguntas sob juramento de parlamentares desde o início do conflito, que completou dois meses na última terça-feira. A sessão começou às 11h no horário de Brasília. O general Dan Caine, chefe do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas dos EUA, também esteve presente na audiência.
Audiência sobre orçamento militar e guerra no Irã
A audiência perante o Comitê de Serviços Armados da Câmara dos Deputados dos EUA teve como objetivo discutir a proposta de orçamento militar de 2027 do Exército, que o governo Trump propõe elevar para um nível histórico de US$ 1,5 trilhão. Durante a sessão, Hegseth e Caine devem enfatizar a necessidade de mais drones, sistemas de defesa antimísseis e navios de guerra. Os chefes do Pentágono e das Forças Armadas enfrentarão perguntas sobre a guerra do Irã, que atualmente exige a maior demanda de recursos econômicos e militares do Exército norte-americano.
Críticas e pressões políticas
O Congresso dos EUA acusa o governo Trump de não ter sido consultado para iniciar o conflito, que atualmente está em um período de cessar-fogo. Mesmo assim, democratas na Câmara e no Senado não conseguiram aprovar resoluções para limitar os poderes do presidente na guerra. Os democratas devem focar nos custos crescentes da guerra no Oriente Médio, na grande redução dos estoques críticos de munições dos EUA e no bombardeio na escola em Minab, que matou mais de 150 crianças iranianas. Alguns parlamentares também podem questionar o quão preparado estava o Exército para derrubar enxames de drones iranianos, alguns dos quais penetraram as defesas americanas e mataram ou feriram soldados dos EUA.
Republicanos afirmam que, por enquanto, manterão confiança na liderança de Trump em tempos de guerra, citando o programa nuclear iraniano, a possibilidade de retomada de negociações e os altos riscos de uma retirada. Ainda assim, parlamentares do partido querem que o conflito termine e alguns já observam futuras votações que podem se tornar um teste importante para o presidente caso a guerra se prolongue. O fechamento do Estreito de Ormuz pelo Irã — uma rota vital para o transporte de petróleo mundial — fez disparar os preços dos combustíveis e criou problemas para os republicanos antes das eleições de meio de mandato. Os EUA responderam com um bloqueio naval ao transporte iraniano e reforçaram sua presença militar na região — com três porta-aviões no Oriente Médio pela primeira vez em mais de 20 anos. Os países parecem presos em um impasse, com Trump pouco inclinado a aceitar a mais recente proposta de Teerã de reabrir o estreito caso os EUA encerrem a guerra, suspendam o bloqueio marítimo e adiem as negociações nucleares.
Demissões e questionamentos
Hegseth evitou questionamentos públicos de parlamentares sobre a guerra, embora ele e Caine tenham realizado coletivas televisionadas no Pentágono. O secretário tem respondido principalmente a jornalistas conservadores, ao mesmo tempo em que cita passagens bíblicas para criticar a mídia tradicional. O secretário de Defesa enfrentará uma dinâmica bem diferente nesta quarta-feira e também na quinta-feira, quando ele e Caine devem depor perante o Comitê de Serviços Armados do Senado. As perguntas dos parlamentares devem ir além do orçamento e até da guerra, abordando também a demissão de altos líderes militares por Hegseth. Além da saída do secretário da Marinha, John Phelan, na semana passada, Hegseth recentemente demitiu o principal oficial do Exército, general Randy George, além de outros generais, almirantes e líderes da defesa.
“Diga-nos o porquê. Você sabe que esses são cargos importantes. Estamos em postura de guerra com o Irã”, disse o senador da Carolina do Norte, Thom Tillis, republicano. Tillis, que foi um voto crucial para confirmar o secretário de Defesa, acrescentou que a gestão de Hegseth no Pentágono o fez reconsiderar seu apoio. “Ele pode conseguir arrumar isso, mas, à primeira vista, você não substitui esse número de autoridades altamente respeitadas de alto nível, almirantes e generais”, afirmou Tillis. O deputado republicano da Geórgia, Austin Scott, criticou a demissão de George durante uma audiência do Comitê de Serviços Armados da Câmara na semana passada, dizendo que “alguns de nós ainda não terminaram de fazer perguntas sobre isso”. “Acho que a demissão do general George foi um enorme desserviço ao Exército dos Estados Unidos”, disse Scott. “E acho que foi uma atitude imprudente.”



