David Grossman lança livro e critica ambos os lados em meio a frágil cessar-fogo em Gaza
Grossman critica lados em Gaza e lança livro sobre paz

David Grossman se posiciona com coragem em meio ao conflito Israel-Gaza

Em um momento de cessar-fogo precário na Faixa de Gaza, após dois anos de intensos conflitos, o silêncio não trouxe alívio completo. Com violações recorrentes de ambos os lados, como o ataque aéreo israelense de 15 de fevereiro que resultou em onze mortes palestinas, a situação permanece tensa e polarizada. Nesse contexto, David Grossman, considerado o maior escritor israelense vivo, emerge como uma voz incômoda e necessária, lançando o livro O Coração Pensante e abordando temas espinhosos com uma rara honestidade intelectual.

Críticas ao governo Netanyahu e à sociedade israelense

Grossman não poupa críticas ao governo liderado por Benjamin Netanyahu, acusando-o de colocar sua sobrevivência política acima de tudo, inclusive dos sequestrados pelo Hamas. Em seu livro, ele destaca que a aliança com a extrema direita e as manobras para evitar julgamentos por corrupção representam um abandono total da nação. Além disso, o escritor aponta uma indiferença tóxica entre os israelenses em relação à ocupação militar em terras palestinas, que dura mais de meio século, alertando que a vingança não pode se tornar política de Estado.

Posicionamento equilibrado e polêmicas

Ao usar o termo genocídio para se referir às mais de 70.000 baixas em Gaza, Grossman enfrentou cancelamentos virtuais e foi chamado de cidadão desleal por alguns setores. No entanto, ele defende que não pode ignorar a realidade, mesmo que a palavra doa. Suas críticas também se estendem ao Hamas, condenando seus ataques como mal absoluto e demoníaco, e à esquerda israelense, que ele considera emocionalmente despreparada para lidar com a radicalização do conflito.

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História pessoal e compromisso com a paz

Grossman, que perdeu o filho em combate no Líbano em 2006, transformou seu luto em um compromisso renovado com a conciliação. Criado em meio a livros em iídiche por um pai sobrevivente do Holocausto, ele serviu como oficial de inteligência nas guerras dos anos 1970, desenvolvendo um repúdio profundo pelos conflitos. Sua demissão da rádio nacional, por insistir em debater um possível Estado palestino, marcou sua transição para a escrita, onde busca contribuir para uma reflexão que possa levar a uma convivência pacífica entre israelenses e palestinos.

Impacto e esperança para o futuro

Apesar das polêmicas e do ambiente hostil, Grossman mantém-se firme, não se intimidando com as críticas no parlamento israelense ou nas redes sociais. Ele acredita que, embora haja enorme desconfiança entre os povos, não estão condenados a se matar eternamente. Suas palavras em O Coração Pensante buscam fomentar uma reflexão profunda, oferecendo um caminho possível para superar a lógica de violência e buscar uma paz duradoura, mesmo em meio a horrores inaceitáveis.

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