França e Canadá inauguram consulados na Groenlândia em resposta a ameaças de Trump
Nesta sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026, a França e o Canadá realizaram a abertura oficial de seus consulados em Nuuk, capital da Groenlândia. Este movimento diplomático consolida o apoio internacional ao território autônomo dinamarquês, que enfrenta ameaças de anexação por parte do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. A iniciativa ocorre em um contexto de tensões geopolíticas crescentes no Ártico, onde a Groenlândia se tornou uma peça-chave em disputas estratégicas globais.
Compromisso francês com a integridade territorial
O ministério das Relações Exteriores da França emitiu um comunicado oficial confirmando a nomeação de Jean-Noël Poirier como cônsul-geral em Nuuk. A França reitera seu compromisso com o respeito à integridade territorial do Reino da Dinamarca, afirmou a pasta. Com essa ação, a França se tornou o primeiro país da União Europeia a estabelecer uma representação diplomática direta na ilha do Ártico.
O novo cônsul-geral francês terá a missão de atender às necessidades da comunidade francesa na Groenlândia e aprofundar os projetos existentes de cooperação cultural, científica e econômica com o território. Além disso, ele será responsável por reforçar os laços políticos com as autoridades locais, promovendo uma relação bilateral mais sólida e duradoura.
Iniciativa canadense para fortalecer laços no Ártico
Paralelamente, o governo do Canadá anunciou que seu consulado oferecerá serviços consulares essenciais aos cidadãos canadenses que residem ou visitam a ilha. A representação diplomática também visa fortalecer as relações bilaterais e comerciais entre Canadá e Groenlândia, ampliando os laços interpessoais e a mobilidade entre os dois territórios.
O consulado canadense terá como objetivo reforçar a cooperação em áreas críticas como governança e segurança no Ártico, uma região que ganha importância estratégica devido às mudanças climáticas e aos interesses geopolíticos de potências globais. Esta decisão havia sido indicada pelo Canadá no final de 2024, como parte de um esforço para consolidar a parceria com os groenlandeses.
Contexto de tensões com os Estados Unidos
A abertura dos consulados ocorre em meio a uma investida agressiva de Donald Trump contra a Groenlândia. O ex-presidente norte-americano tem feito ameaças de anexação por vias militares e tentativas de compra do território junto à Dinamarca, causando uma crise significativa nas relações entre os Estados Unidos e a Europa.
Jeppe Strandsbjerg, cientista político vinculado à Universidade da Groenlândia, comentou sobre o significado deste movimento diplomático: É uma vitória para os groenlandeses ver dois países aliados abrirem representações diplomáticas em Nuuk. Esta afirmação ressalta o apoio local à presença internacional como um contraponto às pressões externas.
Trump e o secretário-geral da Otan, Mark Rutte, chegaram a anunciar um acordo-marco sobre o futuro da ilha ártica, mas Dinamarca e Groenlândia rejeitam firmemente qualquer concessão em matéria de soberania. Esta posição tem recebido o apoio consistente de diversos países europeus, que veem a autonomia groenlandesa como um princípio fundamental.
Antecedentes e dependências diplomáticas
A decisão francesa de abrir um consulado na Groenlândia é anterior ao último pico de tensão com os Estados Unidos. Ela já havia sido anunciada em junho, durante uma visita do presidente Emmanuel Macron a Nuuk, demonstrando um planejamento estratégico de longo prazo.
Os novos consulados de França e Canadá dependerão administrativamente das respectivas embaixadas localizadas em Copenhague, capital da Dinamarca. Esta estrutura garante uma coordenação eficiente entre as representações diplomáticas, enquanto fortalece a presença internacional na região ártica.
Este movimento conjunto de França e Canadá representa um passo significativo na consolidação da autonomia da Groenlândia e na defesa de seus interesses frente a ameaças externas. A presença diplomática reforçada promete aprofundar a cooperação em múltiplas frentes, desde a cultura até a segurança, em um momento crítico para a geopolítica global.