Fim do New START: EUA pedem novo acordo nuclear com Rússia e China, mas encontram resistência
Fim do New START: EUA pedem novo acordo nuclear com Rússia e China

Fim do New START: EUA pedem novo acordo nuclear com Rússia e China, mas encontram resistência

Os Estados Unidos fizeram um apelo por um novo acordo nuclear que envolva a Rússia e a China durante uma conferência na Organização das Nações Unidas nesta sexta-feira (6). A proposta norte-americana, no entanto, foi imediatamente rejeitada pelos dois países, que apresentaram contra-argumentos e condições divergentes para qualquer negociação futura.

Posição norte-americana: tratado bilateral é insuficiente

Thomas DiNanno, subsecretário dos EUA para o controle de armas, declarou durante a conferência sobre desarmamento na sede da ONU que um tratado bilateral entre apenas duas potências nucleares tornou-se inadequado para os desafios contemporâneos. Ele afirmou que o New START perdeu relevância diante da expansão acelerada do arsenal nuclear chinês, que estaria ocorrendo em uma escala não vista há mais de meio século.

DiNanno foi enfático ao acusar a China de realizar uma expansão sem limites nem transparência de seu arsenal atômico, mencionando inclusive suspeitas de testes nucleares realizados por Pequim. Segundo o subsecretário, o arsenal nuclear chinês opera sem mecanismos adequados de controle ou declaração pública.

Respostas da China e Rússia: rejeição e condições

O representante da China na conferência de desarmamento rejeitou firmemente a inclusão do país em um novo acordo nuclear. A posição chinesa baseia-se no argumento de que seu arsenal nuclear ainda está significativamente atrás dos estoques norte-americanos e russos, portanto não justificaria a imposição de limites às suas capacidades.

Já o embaixador da Rússia na ONU apresentou uma condição diferente: qualquer nova negociação sobre limitação de armas nucleares deveria incluir também o Reino Unido e a França, países europeus que possuem ogivas nucleares e são aliados estratégicos dos Estados Unidos.

Contexto do pedido: números preocupantes

O apelo norte-americano ocorre em um momento de preocupação internacional com a rápida expansão do arsenal nuclear chinês. Segundo levantamento de janeiro de 2025 do Instituto Internacional de Pesquisa da Paz de Estocolmo (Sipri), a China possuía ao menos 600 ogivas nucleares. Em contraste, Estados Unidos e Rússia, as maiores potências nucleares do mundo, mantêm mais de 5.000 ogivas cada.

DiNanno criticou duramente o tratado New START, classificando-o como falho e destacando violações russas sucessivas, crescimento dos estoques globais e problemas no desenho e implementação do acordo. Ele defendeu a necessidade de uma nova arquitetura que enfrente as ameaças atuais, não as de uma era passada.

Posição de Trump e negociações em andamento

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, manifestou-se publicamente sobre o tema através de suas redes sociais na quinta-feira, criticando o New START e sugerindo a negociação de um novo tratado nuclear aprimorado e modernizado. Trump afirmou ter evitado guerras nucleares em diferentes partes do mundo, mas considerou que o acordo anterior não deveria ser renovado.

Enquanto isso, fontes revelaram que negociações entre EUA e Rússia para um possível prolongamento do tratado nuclear estão em andamento. Três autoridades norte-americanas confirmaram que as conversas avançaram nas últimas horas, embora ainda não haja consenso definitivo. Uma autoridade da Casa Branca indicou que haverá notícias sobre o New START, sugerindo negociações nos bastidores que poderiam incluir a China em um novo acordo.

O que foi o New START?

O New START representava o último tratado de controle de armas entre as duas maiores potências nucleares do mundo. Assinado em 2010 pelos então presidentes Dimitri Medvedev (Rússia) e Barack Obama (EUA), o acordo entrou em vigor em 2011 e foi estendido por mais cinco anos em 2021.

Entre suas principais disposições, o tratado estabelecia que Moscou e Washington não poderiam implantar mais de:

  • 1.550 ogivas nucleares estratégicas
  • 700 mísseis e bombardeiros de longo alcance

O texto também previa inspeções mútuas, permitindo que cada país realizasse até 18 inspeções anuais em locais estratégicos de armas nucleares. Essas inspeções, no entanto, foram suspensas em março de 2020 durante a pandemia de Covid-19 e nunca foram retomadas, com negociações para sua retomada sendo adiadas indefinidamente pela Rússia em novembro de 2022.

A expiração do New START sem um acordo substituto imediato levanta preocupações significativas sobre uma possível corrida armamentista nuclear e a proliferação descontrolada de ogivas atômicas em um cenário geopolítico já bastante tenso.