Ex-presidente sul-coreano condenado à prisão perpétua por insurreição e lei marcial
Ex-presidente da Coreia do Sul condenado à prisão perpétua

Ex-presidente sul-coreano recebe pena máxima por tentativa de golpe

O ex-presidente da Coreia do Sul, Yoon Suk Yeol, foi condenado à prisão perpétua nesta quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026, após ser declarado culpado de liderar uma insurreição ao decretar a lei marcial no final de 2024. O Tribunal do Distrito Central de Seul emitiu a sentença histórica, destacando a gravidade dos atos que ameaçaram a democracia do país.

Falta de arrependimento e custos sociais pesaram na decisão

O juiz Ji Gwi-yeon, responsável pelo caso, afirmou durante a leitura da sentença que "a declaração de lei marcial resultou em enormes custos sociais" e que "é difícil encontrar qualquer indício de que o réu tenha demonstrado arrependimento por isso". A decisão judicial considerou que Yoon agiu com a intenção de paralisar o Legislativo por um período considerável, enviando militares à sede do parlamento para silenciar opositores políticos.

Contexto da crise constitucional

Em dezembro de 2024, Yoon apareceu em rede nacional de televisão para anunciar a lei marcial, citando ameaças pouco claras de influência norte-coreana e perigosas "forças antiestatais". O ex-presidente conservador, então com 65 anos, declarou a suspensão do governo civil e o início do comando militar, medidas que foram revertidas apenas seis horas depois quando deputados, com ajuda de manifestantes, romperam o cerco das forças de segurança.

A tentativa fracassada reavivou as lembranças dos golpes militares que abalaram a Coreia do Sul entre as décadas de 1960 e 1980, contrastando com a imagem atual do país como símbolo de democracia e estabilidade na Ásia. Yoon, que está detido em regime de isolamento, nega ter atuado de forma errada e afirma que suas ações pretendiam "proteger a liberdade" e restaurar a ordem constitucional.

Outras condenações e reações

Além da sentença de Yoon, o ex-ministro da Defesa Kim Yong-hyun foi condenado a 30 anos de prisão por seu papel na crise. Os promotores haviam solicitado uma pena ainda mais severa para o ex-presidente, pedindo ao tribunal que determinasse a pena de morte pelas acusações de insurreição.

Durante o julgamento, milhares de simpatizantes de Yoon se reuniram diante do tribunal em Seul com cartazes expressando apoio e pedindo a retirada das acusações. Centenas de policiais foram mobilizados nas imediações do tribunal para impedir distúrbios, em um clima de tensão que marcou todo o processo judicial.

Base legal e acusações

O Ministério Público acusou Yoon de liderar uma "insurreição" motivada por um "desejo de poder orientado para a ditadura e o comando de longo prazo". A lei sul-coreana determina apenas dois tipos de punição para o crime de insurreição: prisão perpétua ou pena de morte. Yoon já havia sido condenado anteriormente a cinco anos de prisão por outras acusações, e outros funcionários de alto escalão também receberam condenações por participação na tentativa de declarar lei marcial.

A sentença representa um marco na história jurídica e política da Coreia do Sul, reafirmando os limites do poder executivo e a solidez das instituições democráticas do país asiático.