EUA pedem negociações nucleares com Rússia e China após fim do Novo START
EUA querem negociações nucleares com Rússia e China

Após fim de acordo nuclear, EUA buscam novo pacto com Rússia e China

Os Estados Unidos solicitaram formalmente negociações trilaterais envolvendo a Rússia e a China para estabelecer novos limites de armas atômicas, logo após a expiração do tratado Novo START nesta quinta-feira. A proposta americana surge em um momento crítico para a segurança global, marcado pelo aumento das tensões geopolíticas e pela modernização dos arsenais nucleares em várias nações.

Rússia condiciona participação à inclusão de aliados europeus

O Kremlin não descartou completamente participar das tratativas, mas estabeleceu uma condição significativa para seu envolvimento. Moscou exige que França e Reino Unido também sejam incluídos nas negociações, argumentando que ambos são aliados militares dos Estados Unidos na Organização do Tratado do Atlântico Norte, que se declarou uma aliança nuclear.

O embaixador russo Gennady Gatilov afirmou durante a Conferência sobre Desarmamento em Genebra que "a princípio, participaria do processo se o Reino Unido e a França também fossem incluídos". Esta posição reflete a complexidade das relações estratégicas contemporâneas e a dificuldade em estabelecer acordos multilaterais em um cenário internacional cada vez mais fragmentado.

China rejeita proposta americana de forma categórica

Pequim já indicou oposição clara à proposta de negociações trilaterais, mantendo sua tradicional posição de não participar de acordos de limitação de armas nucleares que envolvam diretamente seu programa militar. A China argumenta que seu arsenal nuclear é significativamente menor que o das duas superpotências e que qualquer acordo deve considerar esta assimetria.

Thomas DiNanno, subsecretário de Estado americano para o Controle de Armas, destacou durante sua intervenção em Genebra que "o arsenal nuclear da China não tem limites, transparência, declarações ou controles". Esta falta de mecanismos de verificação preocupa especialistas em segurança internacional, que alertam para os riscos de uma nova corrida armamentista.

Fim do Novo START marca nova era no controle nuclear

O tratado Novo START, assinado originalmente em 2010, representou o último acordo bilateral entre Estados Unidos e Rússia para limitar seus arsenais nucleares estratégicos. O pacto estabelecia limites específicos:

  • Cada país poderia manter até 1.550 ogivas nucleares estratégicas instaladas
  • Um máximo de 700 lançadores de mísseis balísticos intercontinentais
  • Mecanismos de inspeção presencial e troca regular de dados

O acordo foi prorrogado em 2021 durante o início do governo Biden, mas suas próprias regras impediam uma nova extensão. Juntos, Estados Unidos e Rússia possuem mais de 80% das ogivas nucleares existentes no mundo, com estimativas atuais indicando aproximadamente 5.459 ogivas russas e 5.177 americanas.

China expande arsenal no ritmo mais acelerado do mundo

Embora ainda esteja significativamente atrás das duas superpotências nucleares em termos absolutos, a China vem desenvolvendo e modernizando seu arsenal nuclear em um ritmo preocupante para analistas internacionais. Esta expansão ocorre paralelamente ao crescimento econômico e político do país asiático, que busca consolidar sua posição como potência global.

DiNanno enfatizou que "a próxima era do controle de armas pode e deve continuar com um foco claro, mas exigirá a participação de mais países além da Rússia na mesa de negociações". Esta visão reflete a necessidade de adaptar os mecanismos de controle nuclear a um mundo multipolar, onde novas potências emergem com capacidades estratégicas significativas.

Futuro incerto para o controle de armas nucleares

A expiração do Novo START sem um acordo sucessor estabelecido representa um momento crítico para a segurança internacional. Especialistas alertam que a ausência de limites verificáveis e mecanismos de transparência pode aumentar os riscos de erros de cálculo e escalada de tensões entre as potências nucleares.

O presidente americano Donald Trump afirmou recentemente que prefere um acordo "melhor" e "modernizado" em vez de simplesmente estender o tratado expirado, insistindo na necessidade de incluir a China nas negociações. Esta posição contrasta com a rejeição categórica de Pequim, criando um impasse diplomático complexo que exigirá soluções criativas e compromissos multilaterais.