EUA interceptam petroleiro russo Bella 1 após perseguição no Atlântico
EUA interceptam petroleiro russo após perseguição

As forças dos Estados Unidos concluíram com sucesso, nesta quarta-feira, 7 de janeiro de 2026, a interceptação do petroleiro Bella 1, de bandeira russa, em águas do Atlântico Norte. A ação marca o fim de uma perseguição marítima que se estendia desde o final do ano passado e que elevou as tensões entre Washington e Moscou.

Uma Perseguição Internacional

A operação teve início em 21 de dezembro, quando agentes da Guarda Costeira dos EUA tentaram, sem sucesso, abordar o navio nas proximidades da Venezuela. O objetivo do Bella 1, naquele momento, era entrar em águas venezuelanas para carregar petróleo.

O navio, no entanto, resistiu e iniciou uma fuga. Para protegê-lo, a Rússia chegou a enviar um submarino e outras embarcações de escolta, conforme revelado pelo jornal The Wall Street Journal. As autoridades de Moscou chegaram a pedir formalmente que os Estados Unidos interrompessem a perseguição, enquanto o Ministério das Relações Exteriores russo monitorava a situação "com preocupação".

A Captura e as Sanções

A apreensão foi confirmada pelo Comando Europeu dos EUA através da rede social X (antigo Twitter). A nota oficial informou que a "embarcação foi apreendida no Atlântico Norte em cumprimento a um mandado expedido por um tribunal federal dos EUA".

O Bella 1 integra a chamada "frota fantasma" de petroleiros que operam para burlar sanções internacionais. O navio já estava sob sanções americanas desde o ano anterior, acusado de transportar petróleo iraniano cuja venda, segundo Washington, financia atividades terroristas.

Durante sua fuga, o petroleiro apresentou comportamento atípico:

  • Seu transponder foi desligado em 17 de dezembro, tornando sua localização exata desconhecida.
  • Alterou sua rota para o noroeste, em direção à Groenlândia ou Islândia.
  • Sua tripulação é composta por cidadãos russos, indianos e ucranianos.

O caso chamou a atenção por ser incomum. Dois outros petroleiros interceptados perto da Venezuela no mesmo período concordaram pacificamente em ser abordados, ao contrário do Bella 1. A perseguição exigiu, segundo o The New York Times, uma equipe especializada em lidar com tripulações potencialmente hostis.

Contexto Geopolítico e Consequências

Este episódio ocorre em um momento de mudanças na política dos EUA em relação à Venezuela. Na terça-feira, 6 de janeiro, o presidente Donald Trump anunciou um acordo para que empresas americanas refinem e vendam até 50 milhões de barris de petróleo venezuelano que estavam retidos devido ao bloqueio econômico.

Esse movimento é visto como uma coordenação com a Administração Interina de Delcy Rodríguez, estabelecida após a captura do presidente Nicolás Maduro em uma operação militar em Caracas no fim de semana anterior. A interceptação do Bella 1, portanto, reforça a postura assertiva de Washington em fazer cumprir suas sanções, mesmo diante da oposição de potências como a Rússia, enquanto redefine sua abordagem para com o petróleo venezuelano.

A apreensão do navio-tanque russo evidencia os riscos e a complexidade do comércio marítimo de combustíveis sob sanções, onde "frotas fantasmas" operam à margem da lei, gerando incidentes diplomáticos e operacionais de grande escala.