EUA flexibilizam sanções ao petróleo russo durante crise no Oriente Médio
Em uma decisão que gerou reações internacionais divergentes, os Estados Unidos anunciaram nesta sexta-feira (13) o alívio temporário das sanções impostas ao petróleo exportado pela Rússia. A medida controversa ocorre em meio à escalada da guerra no Oriente Médio, com o governo americano justificando que busca evitar uma nova disparada nos preços da energia global.
Detalhes da isenção temporária
Washington não suspendeu completamente as sanções contra Moscou, mas autorizou uma isenção de 30 dias para que países possam adquirir cargas de petróleo russo que já estavam em navios parados no mar. O volume total envolvido é de aproximadamente 120 milhões de barris, equivalente a pouco mais do que um dia inteiro da produção mundial de petróleo.
Além da própria Rússia, a medida pode beneficiar principalmente nações que mantêm dependência do petróleo russo, como:
- Índia
- China
- Outros compradores asiáticos
Reações internacionais divergentes
Entre os líderes europeus, a decisão americana provocou surpresa e preocupação. Países da União Europeia temem que, ao enriquecer o governo de Vladimir Putin com recursos do petróleo, a paz entre Rússia e Ucrânia se torne ainda mais distante.
O primeiro-ministro da Alemanha, Friedrich Merz, classificou a decisão como "um erro", argumentando que a Rússia não demonstrou disposição para negociar a paz e que é necessário manter a pressão sobre Moscou.
Em contraste, o Kremlin reagiu positivamente à medida. Dmitry Peskov, porta-voz do governo russo, afirmou que "nossos interesses e os dos Estados Unidos coincidem na estabilização do mercado de energia", sugerindo que a decisão pode ajudar a evitar um colapso mundial.
Impacto nos preços e contexto regional
Logo após o anúncio americano, o preço do petróleo chegou a cair, mas ao longo do dia voltou a ultrapassar a marca de US$ 100 por barril. A medida ocorre em um contexto de tensão crescente no Oriente Médio, onde ataques a embarcações e infraestrutura naval têm se intensificado.
Desde 1º de março, foram registrados 29 ataques a embarcações na região do Estreito de Ormuz, uma rota crítica para o transporte de petróleo. Em Washington, o secretário da Guerra americano declarou que a passagem pelo estreito será reaberta, embora tenha negado evidências de que o Irã tenha colocado minas explosivas na área.
Preocupação na Ucrânia e ações militares
Em Kiev, a decisão dos Estados Unidos gerou aflição entre militares e civis. O presidente Volodymyr Zelensky, que se reuniu em Paris com o francês Emmanuel Macron, alertou que a liberação pode encher os cofres russos com bilhões de dólares, dificultando os esforços de paz.
Macron respondeu que "a Rússia pode pensar que a guerra no Irã lhe dará uma trégua, mas está enganada". Na noite desta sexta-feira, o presidente americano anunciou bombardeios à ilha de Karg, no Irã, região responsável por 90% das exportações iranianas de petróleo.
Donald Trump afirmou que o ataque atingiu apenas alvos militares e não as refinarias, mas advertiu que, se o Irã continuar a interferir na passagem de navios pelo Estreito de Ormuz, novas decisões poderão ser tomadas.
