Espanha desafia Europa e regulariza meio milhão de imigrantes; direita promete reverter
Espanha regulariza meio milhão de imigrantes; direita promete reverter

Espanha desafia tendência europeia e aprova regularização de meio milhão de imigrantes

Em uma decisão que coloca o país na contramão de seus vizinhos europeus e dos Estados Unidos, o governo espanhol aprovou nesta terça-feira, 14 de abril de 2026, a regularização em massa de meio milhão de imigrantes sem documentos. A medida, anunciada pelo primeiro-ministro Pedro Sánchez, visa normalizar a situação de pessoas que já estão integradas à sociedade espanhola, mas enfrenta duras críticas da oposição de direita.

Medida extraordinária sem necessidade de aprovação parlamentar

O Conselho de Ministros aprovou o Real Decreto que dá início ao processo de regularização extraordinária de pessoas em situação irregular no país. Em uma mensagem no X (antigo Twitter), Sánchez justificou a ação como um ato de normalização e reconhecimento da realidade de quase meio milhão de pessoas que já fazem parte do cotidiano espanhol.

"É sobre reconhecer a realidade de quase meio milhão de pessoas que já fazem parte da nossa vida cotidiana", afirmou o primeiro-ministro em carta aos cidadãos. "Que aqueles que já fazem parte da nossa vida cotidiana o façam em igualdade de condições, contribuindo para a sustentação do nosso país e do nosso modelo de convivência".

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

Sánchez destacou ainda que a medida contou com o apoio da Igreja, sindicatos, empresários e sociedade civil, compartilhando o objetivo de melhorar a vida dos vizinhos e tornar a Espanha um país melhor.

Oposição de direita denuncia política 'suicida'

Contudo, a medida enfrenta forte resistência da oposição. Alberto Núñez Feijóo, líder do Partido Popular, principal legenda de oposição, afirmou no fim de semana que "a Espanha está exportando um problema migratório para toda a Europa", onde vigora o princípio de livre circulação de pessoas.

Mais contundente, Santiago Abascal, líder do partido de extrema direita Vox, classificou a medida como uma das "políticas suicidas de Sánchez" e prometeu revertê-la. "Vamos revertê-la", afirmou Abascal no X, demonstrando a polarização política em torno do tema.

Contexto demográfico e implementação prática

A regularização ocorre em um contexto de crise demográfica na Espanha, onde o envelhecimento da população se soma a uma queda de 25,6% no número de nascimentos nos últimos doze anos. Em novembro de 2024, Sánchez já havia anunciado reformas nas regras de imigração para regularizar 300 mil pessoas por ano até 2027.

Segundo dados oficiais:

  • A Espanha tem população de 49,4 milhões de habitantes
  • Inclui 7,1 milhões de estrangeiros
  • Em 1º de janeiro de 2025, havia quase 840 mil imigrantes em situação irregular
  • A grande maioria é da América Latina
  • Muitos trabalham em setores como agricultura, hotelaria, atendimento e construção

A ministra das Migrações, Elma Saiz, explicou em entrevista à rádio Cadena Ser que a regularização começará nesta semana e será concluída em 30 de junho. "Amanhã (quarta-feira, 15), previsivelmente, será publicado no Diário Oficial do Estado e, a partir do dia 16, começará o trâmite digital", detalhou Saiz. "Também será possível marcar horário para o atendimento presencial, que começará a partir do dia 20".

Impacto e perspectivas futuras

A medida representa uma mudança significativa na política migratória espanhola, especialmente considerando o contexto europeu de restrições crescentes. Enquanto países vizinhos adotam políticas mais restritivas, a Espanha opta por uma abordagem de integração e reconhecimento.

O processo de regularização promete:

  1. Normalizar a situação de meio milhão de pessoas
  2. Contribuir para a sustentação do modelo social espanhol
  3. Atenuar a crise demográfica do país
  4. Gerar debate político intenso entre esquerda e direita

A implementação começará imediatamente, mas as críticas da oposição sugerem que o tema continuará a ser um ponto de conflito político nos próximos meses, com promessas de reversão caso haja mudança no governo.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar