A primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi, anunciou nesta segunda-feira, 19 de janeiro de 2026, a dissolução do parlamento e a convocação de eleições antecipadas, marcadas para 8 de fevereiro. A decisão, que visa testar e ampliar seu apoio popular, ocorre em um contexto de instabilidade política incomum para o país e de impopularidade da líder, agravada por uma postura provocadora em relação à China.
Instabilidade inédita no cenário político japonês
A medida de dissolver a câmara baixa do parlamento para buscar um novo mandato tem se tornado frequente no Japão recente, sendo também uma estratégia utilizada pelo antecessor de Takaichi. No entanto, especialistas alertam que essa repetição de eleições é um fenômeno novo e preocupante. Leonardo Trevisan, professor de relações internacionais da ESPM, destacou a mudança no cenário político tradicionalmente estável do país.
“Nos últimos três anos, o Japão teve três eleições, isso é algo inédito. O Japão era um país de absoluta estabilidade política, com os dois principais partidos se sucedendo no poder”, afirmou Trevisan durante participação no Conexão Record News. Segundo sua análise, o ciclo de eleições frequentes não tem sido eficaz para garantir aos primeiros-ministros a maioria parlamentar necessária para governar com força.
As razões por trás da impopularidade de Takaichi
A atual primeira-ministra enfrenta resistência significativa dentro do próprio parlamento. O professor Trevisan explicou que essa oposição interna foi intensificada por uma ação tomada logo no início de seu mandato: uma provocação direta à China, que gerou uma resposta considerada violenta por parte do governo chinês.
A estratégia de Takaichi, na avaliação do especialista, tinha um objetivo claro: “O alvo era encantar, comunicar-se com o mais radicalizado japonês, mais nacionalista”. Contudo, a manobra resultou em um desgaste político considerável, forçando-a agora a tentar corrigir o curso e buscar um novo apoio popular por meio das urnas.
Um cenário que se repete sem resultados esperados
A situação vivida por Sanae Takaichi guarda semelhanças com a de seu antecessor, Shigeru Ishiba, que também enfrentou baixa popularidade e dificuldades para aprovar sua agenda. Apesar da tentativa de renovar o mandato através de eleições antecipadas, a expectativa entre analistas é de que o resultado para Takaichi será frustrante.
“As eleições não dão maioria a nenhum primeiro-ministro para impor políticas mais complexas ao Japão. Provavelmente nós vamos assistir a esse mesmo filme”, previu Trevisan. A análise sugere que, mesmo com a nova convocação eleitoral, a primeira-ministra não obterá a maioria parlamentar que espera, mantendo o cenário de um governo fragilizado e com dificuldades para implementar reformas mais profundas.
O anúncio das eleições para fevereiro coloca o Japão em mais um ciclo de incerteza política, em um momento onde a estabilidade governamental, outrora uma marca do país, parece cada vez mais elusiva.