Saúde oculta de líderes: doença do xá iraniano ecoa em situação atual de Mojtaba Khamenei
Doença secreta do xá iraniano ecoa em situação de Mojtaba Khamenei

Ocultar doenças de governantes: prática histórica com consequências políticas profundas

A misteriosa condição de saúde de Mojtaba Khamenei, ferido em bombardeio durante o conflito atual, evoca inevitavelmente a doença secreta que acometeu o xá Reza Pahlavi antes da Revolução Iraniana de 1979. Esta prática de esconder problemas médicos de líderes, comum tanto em democracias quanto em regimes autoritários, frequentemente altera o curso da história de nações inteiras.

O caso do xá: leucemia que minou um regime

"Meu baço pesa mais do que a coroa" – assim o xá Reza Pahlavi descreveu um dos piores sintomas da leucemia linfocítica crônica que escondia dos iranianos. A doença foi notada pela primeira vez em 1973 durante atividades de esqui aquático, quando o volume abdominal superior tornou-se evidente. A progressão implacável da condição maligna minou suas forças justamente quando explodia a revolução religiosa fundamentalista.

O tratamento ocorreu em segredo, com 39 visitas "secretas" do maior especialista francês em leucemia ao Irã, embora a informação já fosse conhecida pela CIA através do Mossad. A quimioterapia com clorambucil funcionou apenas temporariamente, enquanto os efeitos colaterais aumentavam a ausência pública do monarca. Seu baço chegou ao tamanho de uma bola de beisebol.

Enquanto o xá recebia transfusões sanguíneas em hospital de Teerã, ocorreu o massacre que matou 94 pessoas no centro da capital, insuflando ainda mais a população rebelada. O chefe da CIA, George Cave, informou: "A leucemia do xá se transforma em linfoma não-Hodgkin, o declínio físico é evidente". O aiatolá Khomeini tripudiou: "O xá canceroso verte um sangue branco".

Paralelos com a situação atual

O desaparecimento público de Mojtaba Khamenei após ferimentos em bombardeio levanta questões sobre a sucessão e futuro do regime teocrático iraniano. Segundo diferentes versões, ele sofreu:

  • Amputação de uma ou ambas as pernas
  • Fratura grave no pé
  • Ferimentos no rosto e outras lesões

O jornal The Sun cita fonte iraniana com contatos no hospital de Teerã para sustentar que agora só respira com ventilação artificial. Um site do Kuwait afirma que foi transportado secretamente para tratamento médico na Rússia, onde também estaria protegido de bombas israelenses.

Com a ausência do líder máximo, o comando da guerra foi assumido pela liderança dos Guardas da Revolução Islâmica, força armada mais doutrinada e extremista – ela própria também ceifada nos ataques, mas com coesão suficiente para comandar resposta agressiva. Isso pode levar a um endurecimento ainda maior do regime teocrático.

Estrutura de poder e sucessão

Na estrutura do regime iraniano, a autoridade suprema em todas as questões – incluindo obviamente a guerra – é exercida pelo líder máximo, que também administra correntes e interesses nem sempre convergentes. Outros líderes que aparecem em manifestações ou declarações, como o presidente ou chanceler, têm poder muito limitado.

Segundo fontes da inteligência americana citadas pela televisão CBS, o velho Khamenei era contra a escolha do filho como sucessor por não considerá-lo suficientemente brilhante nem detentor das qualidades necessárias para liderança. Fontes que falaram ao New York Post mencionam informação sobre possível homossexualidade de Mojtaba – aspecto que pareceria inacreditável num lugar onde homossexuais são enforcados publicamente.

Herança histórica e ironias do destino

O filho do xá, incrivelmente parecido com o pai e com o mesmo nome, tenta se colocar como alternativa em caso de transição para outro regime – possibilidade que ainda parece distante, embora tudo esteja em aberto na situação atual. Ironicamente, considerando que seu pai trocou de esposa para ter herdeiro homem, ele tem três filhas.

A mais velha, princesa Noor, nascida nos Estados Unidos, casou-se no ano passado com americano judeu, acrescentando complexidade a uma das histórias mais complicadas do mundo. Ela fala com desenvoltura e afirma que o atual regime "depende da força em lugar do consenso e a história nos diz que quando um regime atinge este estágio, a repressão se torna sua maior fraqueza".

Outra ironia histórica: foi exatamente isso que aconteceu na época do avô que ela nunca conheceu. Em 16 de fevereiro de 1979, diante do desmoronamento das forças de segurança que mudavam de lado conforme manifestações cresciam, Reza Pahlavi partiu para exílio no Egito, onde morreu em junho de 1980 aos 60 anos – quatro a mais que Mojtaba Khamenei tem atualmente.

Prática universal com consequências locais

Esconder doenças de governantes é reação praticamente automática através da história. Franklin Roosevelt morreu em 12 de abril de 1945, apenas três semanas antes da rendição da Alemanha nazista, sem que muitos americanos sequer soubessem que precisava de cadeira de rodas por causa da poliomielite que, em 1921, o deixou paralisado da cintura para baixo.

Os líderes soviéticos que, na definição de Ronald Reagan, "não paravam de morrer", estavam todos ativos e vigorosos nas versões oficiais. Seu enfraquecimento na base contribuiu para desmoronamento de regime que parecia feito para durar eternamente em 1991.

Detalhe final simbólico: a coroa do xá, turbante ao estilo persa de veludo vermelho revestido com 3.380 diamantes (sendo o maior deles pedra amarela de 60 quilates) e 369 pérolas, pesava dois quilos – menos, segundo sua própria comparação, que o baço aumentado pela doença que ajudou a derrubar seu regime.