Deputado dinamarquês provoca polêmica ao insultar Trump em sessão do Parlamento Europeu
Um deputado da Dinamarca protagonizou um momento de tensão no Parlamento Europeu, nesta terça-feira (20), ao realizar um discurso acalorado contra o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. O incidente ocorreu no contexto das crescentes pressões norte-americanas para anexar a Groenlândia, território autônomo dinamarquês.
Discurso contundente e reação imediata
Anders Vistisen, membro da instituição europeia, não poupou palavras ao criticar Trump pelas ameaças recentes. Em um tom direto e provocativo, ele declarou: "Deixe-me colocar em palavras que talvez você entenda... Senhor Presidente, vá se f*", enfatizando que a ilha não está à venda. A fala foi rapidamente interrompida pelo vice-presidente do Parlamento, Nicolae Ștefănuță, que repreendeu Vistisen pela linguagem considerada inapropriada.
Ștefănuță afirmou: "É contra as nossas regras. Nós temos regras claras sobre insultos, linguagem que é inapropriada para esta sala. Desculpe interromper, mas é inaceitável, mesmo que você tenha fortes sentimentos políticos sobre isso". Este episódio destaca as regras rígidas de conduta no Parlamento Europeu, mesmo em meio a debates políticos intensos.
Contexto das tensões internacionais
O discurso de Vistisen reflete as crescentes tensões entre os Estados Unidos e a Europa, especialmente após Trump insistir na proposta de comprar a Groenlândia. Em um discurso no Fórum Econômico Mundial, em Davos, na terça-feira (21), o presidente norte-americano aumentou o tom das ameaças, afirmando que apenas os EUA poderiam defender o território.
Trump declarou: "Eu não preciso usar a força. Eu não quero usar a força. Eu não usarei a força. Tudo o que os Estados Unidos estão pedindo é um lugar chamado Groenlândia". Ele também ameaçou retaliações à Otan, argumentando que uma América forte é essencial para a segurança da aliança.
Reações europeias e escalada do conflito
Líderes europeus têm respondido com firmeza às investidas de Trump. O presidente francês, Emmanuel Macron, solicitou um exercício militar da Otan na Groenlândia, enquanto a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, afirmou que o continente está "preparado para agir". A Dinamarca, por sua vez, considera enviar até 1.000 soldados para a região em 2026.
Políticos de diversas orientações, incluindo da extrema direita europeia, têm criticado a postura de Trump. Jordan Bardella, líder do Reunião Nacional na França, pediu que a Europa não seja submissa aos EUA, destacando: "Quando um presidente dos EUA ameaça um território europeu usando pressão comercial, isso não é diálogo — é coerção".
Implicações para as relações transatlânticas
Este episódio no Parlamento Europeu simboliza o aprofundamento do racha nas relações entre os Estados Unidos e a Europa. A insistência de Trump na Groenlândia, combinada com respostas firmes de líderes europeus, sugere um período de turbulência diplomática. A cúpula de emergência marcada para quinta-feira (22) visa alinhar uma resposta coordenada em defesa do território dinamarquês.
Enquanto isso, o discurso de Vistisen, embora censurado, ecoa o sentimento de muitos na Europa que veem as ações de Trump como uma ameaça à soberania e estabilidade regional. O incidente reforça a necessidade de diálogo respeitoso, mesmo em meio a divergências políticas profundas.