Delcy Rodríguez reafirma compromisso com eleições livres na Venezuela em entrevista à NBC
Delcy Rodríguez defende eleições livres na Venezuela em entrevista

Delcy Rodríguez reafirma compromisso com eleições livres na Venezuela em entrevista à NBC

A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, afirmou estar comprometida com a realização de eleições "justas e livres" no país, em declarações feitas em entrevista exibida nesta quinta-feira (12) pela rede de televisão americana NBC. A declaração ocorre em um contexto político tenso, marcado por disputas internacionais e desafios internos.

Calendário eleitoral e diálogo político

Durante a entrevista, Rodríguez destacou que "o calendário das eleições será definido pelo diálogo político neste país", enfatizando a importância de um processo democrático inclusivo. As eleições na Venezuela têm sido alvo de controvérsias recorrentes, com a oposição denunciando fraudes em ocasiões anteriores, como na última votação de 2024.

Naquele ano, os resultados não foram reconhecidos por diversos países, incluindo os Estados Unidos e nações europeias, levando a protestos em massa e à prisão de milhares de manifestantes. Apesar das críticas, Rodríguez ressaltou que Nicolás Maduro, atualmente preso em Nova York, continua sendo "o presidente legítimo" da Venezuela.

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Relações com os Estados Unidos e sanções

Questionada sobre quem governa o país atualmente, se ela ou o presidente dos Estados Unidos, Rodríguez respondeu de forma assertiva: "Eu estou encarregada da presidência". Ela vinculou a convocação de eleições à necessidade de um país livre de sanções, declarando: "também implica um país livre de sanções. É a Justiça para a Venezuela e para o povo venezuelano".

No atual contexto de conversas regulares com Washington, a presidente interina comentou que "não é nada difícil fazer o trabalho", referindo-se às negociações sobre o controle das vendas de petróleo venezuelano e a receita arrecadada. A maior parte do petróleo exportado desde janeiro, que já gerou pelo menos US$ 500 milhões (R$ 2,6 bilhões), foi destinada aos Estados Unidos.

Petróleo e revisão de contratos

Rodríguez descreveu essa venda como "de justiça comercial", destacando que o preço pago atualmente a Caracas pelo petróleo bruto, principal riqueza do país, é superior ao obtido com exportações ilegais via navios-fantasma. Ela mencionou uma "mudança de modelo" e que seu governo está revisando contratos antigos para determinar "quem deve o que a quem".

Essa revisão ocorre após a captura de Maduro, quando o presidente americano afirmou que os Estados Unidos recuperariam seus direitos no setor petroleiro venezuelano, construído com ajuda americana por décadas.

Desinformação e presos políticos

Em outro trecho da entrevista, Rodríguez criticou a desinformação sobre a Venezuela, comentando: "Muitas vezes, vemos pouca clareza, veracidade, no que se diz sobre a Venezuela", referindo-se a acusações contra o regime chavista. Ela acrescentou que entende as queixas de Trump sobre "desinformação".

Sobre a questão dos presos políticos, a presidente interina ressaltou que não está na agenda bilateral com os Estados Unidos, sendo uma iniciativa venezuelana. O governo apresentou uma lei de anistia que ainda aguarda aprovação pela Assembleia Nacional.

Contexto internacional e perspectivas

A entrevista de Delcy Rodríguez à NBC ocorre em um momento crucial para as relações Venezuela-EUA, com discussões sobre petróleo, eleições e direitos humanos. Suas declarações refletem os esforços do governo interino em equilibrar demandas internas e pressões externas, enquanto busca legitimidade e estabilidade política.

O compromisso com eleições livres, embora condicionado ao fim de sanções, sinaliza uma abertura para diálogo, mas os desafios persistem diante das divisões políticas e econômicas que assolam o país.

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