Republicanos e democratas unem-se em críticas a Trump em conferência na Alemanha
Críticas bipartidárias a Trump rompem tradição em Munique

Críticas bipartidárias a Trump marcam conferência de segurança na Alemanha

Em um movimento histórico que rompeu com décadas de tradição diplomática, líderes republicanos e democratas dos Estados Unidos uniram-se em críticas públicas ao presidente Donald Trump durante a Conferência de Segurança de Munique, realizada na Alemanha. O evento, que ocorreu de sexta-feira até domingo, 15 de fevereiro de 2026, testemunhou uma rara demonstração de união entre os partidos políticos americanos em solo internacional, abandonando o costume de evitar ataques ao líder do país em fóruns internacionais.

Crise de credibilidade sem precedentes

A conferência aconteceu em meio ao que Wolfgang Ischinger, presidente do evento, descreveu como uma "crise de credibilidade e confiança sem precedentes" nas relações internacionais. O tom foi estabelecido pelo Relatório de Segurança de Munique, publicado anualmente às vésperas do encontro, que nesta edição trouxe o título alarmante "Em destruição". O documento classifica Trump como integrante de uma categoria preocupante de "homens da demolição" - líderes que, através de uma "política de bola de demolição", sistematicamente enfraquecem regras e instituições consolidadas ao redor do mundo.

Posicionamento firme dos democratas

Entre as vozes democratas, destacou-se a ex-secretária de Estado Hillary Clinton, que defendeu veementemente que a Europa responda de forma firme e coordenada às ameaças e declarações imprevisíveis de Trump. "Não se deve duvidar das intenções do presidente americano", alertou Clinton, citando como exemplo positivo de resistência internacional o caso da Groenlândia, onde a postura firme dos aliados teria mostrado resultados concretos.

O governador da Califórnia, Gavin Newsom, foi ainda mais contundente em suas críticas, acusando Trump de adotar políticas econômicas e comerciais que enfraquecem os Estados Unidos e seus aliados históricos. "Nunca na história dos EUA houve um presidente mais destrutivo do que o atual ocupante da Casa Branca em Washington", afirmou Newsom, criticando ainda a proximidade do presidente com o setor de combustíveis fósseis e sua tentativa de resgatar práticas comerciais do século XIX.

Preocupações sobre política externa

A senadora democrata Elissa Slotkin trouxe à tona preocupações sobre a instabilidade interna dos Estados Unidos, que segundo ela gera incertezas significativas sobre a política externa americana, especialmente em relação ao conflito na Ucrânia. Slotkin alertou que essa indefinição pode prolongar desnecessariamente a guerra e defendeu uma postura mais clara e consistente por parte do país.

Críticas vindas do próprio partido

Talvez o aspecto mais surpreendente da conferência tenha sido as críticas provenientes do próprio Partido Republicano. O senador Thom Tillis criticou abertamente os impactos econômicos negativos das tarifas comerciais impostas por Trump, rebatendo declarações recentes de Lindsey Graham, um dos aliados republicanos mais próximos do presidente. "Os 85.000 indígenas na Groenlândia se importam com quem é o dono da Groenlândia. E no final do dia, precisamos demonstrar respeito", afirmou Tillis, em referência a comentários de Graham que minimizavam a importância da soberania territorial.

Um momento histórico nas relações internacionais

Este episódio marca um ponto de virada significativo na política externa americana, com representantes de ambos os partidos majoritários rompendo publicamente com o presidente em um palco internacional de alto nível. A citação do relatório oficial sobre a declaração do ex-presidente de que "não precisaria do direito internacional" exemplifica a postura que gerou tamanha reação coordenada. A Conferência de Segurança de Munique de 2026 será lembrada como o momento em que a tradição de unidade externa foi quebrada em nome de princípios considerados mais fundamentais por líderes de ambos os lados do espectro político americano.