Brasileira relata pânico em Dubai durante ataques: 'Maior pesadelo da minha vida'
A baiana Nayllane Aquino, de 29 anos, está vivendo momentos de extrema tensão em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, onde viajou pela primeira vez. Moradora de Porto Seguro, no extremo sul da Bahia, ela tinha passagem de volta ao Brasil marcada para terça-feira (3), mas o voo foi cancelado devido à situação de conflito na região.
"Estou enfrentando muitos problemas para poder voltar, porque como todo mundo sabe, as linhas aéreas estão canceladas. A gente não tá conseguindo pegar nenhum tipo de voo", contou a brasileira em entrevista. "Pensei até na possibilidade de tentar ir para Arábia Saudita, para tentar de lá, voltar para o Brasil, mas infelizmente vi que precisava de visto, que não seria tão fácil chegar até lá, que seria mais de 10 horas de carro".
Confinada no hotel com a família
Enquanto tenta resolver como retornará ao Brasil, Nayllane Aquino está confinada com a família dentro do quarto de um hotel em Dubai. "Nesse momento, eu sinto muito medo de estar aqui, no meio de tudo isso que está acontecendo. Como nunca passei por uma situação dessa, a ansiedade ataca também bastante, estou muito ansiosa e infelizmente não consigo fazer nada", relatou.
A brasileira descreve que já está há quase 48 horas sem sair do hotel. "Só vou no 1° andar, onde tem restaurante, para almoçar, e volto para o quarto. Ou peço alimentos por meio de aplicativos e busco na recepção".
Momento de pânico nas escadas do hotel
Um dos momentos mais críticos vividos por Nayllane ocorreu quando todos os hóspedes receberam um chamado para que descessem até a recepção do hotel. Ela gravou o momento em que ela e outras pessoas desciam correndo pelas escadas.
"Uma loucura, todo mundo correndo, foi o maior pesadelo da minha vida. Ali achei que não iria mais estar aqui para poder estar contando isso para você", desabafou a baiana. Ela e a família ficaram cerca de 40 minutos no local antes de serem orientados a retornar aos quartos.
Caças no deserto e alertas no celular
Os primeiros sinais de tensão começaram no sábado (28), quando Nayllane avistou caças durante um passeio no deserto. "Deu para escutar um barulho bem alto, como se fosse algo explodindo, sabe? Parecia que estava muito próximo a mim, mas graças a Deus não estava".
"Vi também vários aviões caças passando no deserto, foi quando a gente começou a ficar preocupados com tudo isso que estava acontecendo", relembrou. Ao retornar ao hotel, a situação se intensificou com alertas constantes nos celulares. "Chegando aqui foi quando começaram a emitir alertas no celular. Toda hora chegando e os telefones apitando".
Contexto do conflito na região
Os momentos de tensão vividos por Nayllane ocorrem no contexto de um conflito armado entre Estados Unidos, Israel e Irã. No sábado (28), americanos e israelenses lançaram um grande ataque contra o Irã, com explosões registradas na capital Teerã e em diversas outras cidades iranianas.
Os bombardeios resultaram na morte do líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, e outros membros de alto escalão do governo. Segundo a organização humanitária Crescente Vermelho do Irã, 555 pessoas foram mortas desde o início dos ataques.
Em resposta, o Irã disparou mísseis contra território israelense e bases militares norte-americanas no Oriente Médio, iniciando uma troca de ataques que continua desde então. Os Estados Unidos informaram que três militares do país foram mortos, com o presidente Donald Trump prometendo vingança.



