Pesquisa revela que americanos acreditam que ricos escapam de punição após arquivos Epstein
Americanos veem impunidade de ricos após arquivos Epstein, diz pesquisa

Pesquisa revela percepção de impunidade entre americanos após divulgação de arquivos Epstein

Uma nova pesquisa conduzida pela agência de notícias Reuters em parceria com o instituto Ipsos revelou dados significativos sobre a opinião pública norte-americana em relação aos arquivos de Jeffrey Epstein. O levantamento, realizado entre 13 e 16 de fevereiro, mostra que a maioria dos cidadãos dos Estados Unidos acredita que pessoas ricas e influentes raramente enfrentam consequências por seus atos, um sentimento que se intensificou após a divulgação dos milhões de documentos relacionados ao caso do financista condenado por crimes sexuais.

Números que refletem desconfiança no sistema

Segundo os dados da pesquisa, que contou com a participação de 1.117 adultos em todo o território nacional e possui margem de erro de 3 pontos percentuais, 69% dos entrevistados afirmaram que a declaração de que os arquivos de Epstein "mostram que pessoas poderosas nos EUA raramente são responsabilizadas por suas ações" descreve "muito bem" ou "extremamente bem" sua visão. Outros 17% disseram que a frase reflete "em parte" sua opinião, enquanto apenas 11% discordaram completamente dessa afirmação.

O estudo foi publicado na quarta-feira, 18 de fevereiro, e capturou o sentimento da população após a maior divulgação de documentos já realizada sobre o caso Epstein pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos no dia 30 de janeiro. O acervo liberado reúne impressionantes 3 milhões de páginas, 2.000 vídeos e aproximadamente 180.000 imagens produzidos ao longo de anos de investigações sobre o financista, que foi encontrado morto em 2019 enquanto aguardava julgamento por abuso sexual de menores.

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Divisões partidárias marcantes no debate

A pesquisa também revelou divisões políticas significativas entre republicanos e democratas em relação à continuidade do debate sobre os arquivos Epstein. Entre os republicanos, 67% afirmaram que concordam, ao menos em parte, que "é hora de o país parar de falar sobre os arquivos de Epstein". Em contraste, apenas 21% dos democratas concordaram com essa mesma afirmação, demonstrando uma clara diferença de abordagem entre os dois grupos políticos.

Essa polarização reflete diferentes visões sobre como lidar com o legado de Epstein e as revelações contidas nos documentos, que expõem conexões do falecido predador sexual com figuras de destaque dos meios político, empresarial e da elite norte-americana e internacional.

Conteúdo dos arquivos e reações

A liberação dos documentos — determinada pelo Congresso americano e considerada a última grande divulgação relacionada ao caso — expõe uma extensa lista de nomes poderosos mencionados nas investigações. Entre as personalidades citadas estão:

  • O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump
  • Os bilionários Elon Musk e Bill Gates
  • Autoridades e figuras públicas do Reino Unido, França, Israel e países nórdicos
  • O presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva
  • Elogios ao ex-presidente brasileiro Jair Bolsonaro

Trump é citado centenas de vezes nos documentos, com aproximadamente 4.500 arquivos fazendo referência ao republicano, incluindo relatos enviados ao FBI com denúncias não comprovadas. É importante destacar que nenhuma das menções vem acompanhada de provas concretas, e a Casa Branca já afirmou que os arquivos podem conter informações falsas ou manipuladas. O próprio Trump nega qualquer vínculo com Epstein.

A pesquisa Reuters/Ipsos demonstra como a divulgação desses documentos impactou a percepção pública sobre justiça e responsabilidade entre as elites, criando um cenário de desconfiança generalizada que atravessa linhas partidárias, ainda que com diferentes perspectivas sobre como proceder com as informações reveladas.

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