Polícia Civil faz operação contra venda ilegal de camarotes do São Paulo FC
Operação mira venda ilegal de camarotes do São Paulo FC

Operação da Polícia Civil mira venda ilegal de camarotes no estádio do São Paulo

A Polícia Civil realizou nesta quarta-feira, 21 de janeiro de 2026, uma operação para cumprir quatro mandados de busca e apreensão relacionados ao caso de venda ilegal de camarotes no estádio do Morumbi, pertencente ao São Paulo Futebol Clube. A ação foi conduzida pela 3ª Delegacia da Divisão de Investigações sobre Crimes contra a Administração (DPPC) na capital paulista, com o objetivo de apurar um esquema de comercialização clandestina que envolve diretores do clube.

Investigação do Ministério Público e áudios reveladores

O caso ganhou destaque em dezembro, quando o Ministério Público abriu uma investigação formal sobre a venda irregular de camarotes. Áudios divulgados pelo portal ge revelaram conversas entre diretores do São Paulo FC e uma empresária, discutindo a comercialização não autorizada de espaços no estádio, especialmente em dias de shows. Os registros sonoros expuseram detalhes do esquema, que incluía a venda de camarotes como a Sala Presidencial, que não era oficialmente disponibilizada para venda ao público.

Alvos da operação e envolvidos no esquema

Três investigados foram os principais alvos da operação policial:

  • Douglas Schwartzmann: diretor adjunto das categorias de base do São Paulo FC, que foi afastado do cargo devido às investigações.
  • Mara Casares: ex-esposa do presidente afastado do clube, Júlio Casares, e diretora feminina também afastada de suas funções.
  • Rita de Cassia Adriana Prado: empresária que atuou como intermediária na venda dos ingressos ilegais.

Nos áudios divulgados, os diretores tentaram convencer a empresária Rita a encerrar uma cobrança judicial movida por Carolina Lima Cassemiro, uma terceira que adquiriu os ingressos e não recebeu o pagamento devido. A situação se complicou porque a abertura de um processo judicial tornaria público o esquema de venda clandestina, o que representaria um problema significativo para os envolvidos.

Posicionamento do São Paulo FC e crise política no clube

Em nota oficial, o São Paulo Futebol Clube se posicionou sobre o caso, afirmando que é vítima neste caso e vai contribuir com as autoridades na investigação. No entanto, o escândalo ocorre em meio a uma grave crise política dentro da instituição. O presidente Júlio Casares sofreu impeachment na última sexta-feira, 16 de janeiro, por 188 a 45 votos do Conselho Deliberativo, resultando em seu afastamento imediato.

Casares agora aguarda uma votação dos sócios em Assembleia Geral, que deve ocorrer em no máximo 30 dias após o afastamento, embora ainda não tenha data marcada. Enquanto isso, o vice-presidente Harry Massis Júnior, de 80 anos, assumiu interinamente o cargo.

Outras investigações envolvendo Júlio Casares

Além do caso dos camarotes, Júlio Casares é alvo de outras investigações da Polícia Civil por supostas irregularidades financeiras. As apurações indicam que o presidente afastado teria recebido R$ 1,5 milhão por meio de depósitos em dinheiro e realizado 35 saques nas contas do clube entre 2021 e 2025, totalizando aproximadamente R$ 11 milhões. Essas alegações contribuíram para o cenário de instabilidade e desconfiança na gestão do São Paulo FC.

A operação desta quarta-feira marca um capítulo importante na investigação, que busca esclarecer as responsabilidades e possíveis crimes contra a administração pública e o clube. As autoridades continuam a coletar provas e depoimentos para avançar no caso, que pode ter repercussões significativas no futuro do São Paulo Futebol Clube.