Samara Martins: a única mulher na corrida presidencial de 2026
No Brasil, as eleições presidenciais são disputas essencialmente masculinas. Em 2026, não será diferente. Por enquanto, há apenas uma postulante no páreo: a pré-candidata Samara Martins, vice-presidente nacional do nanico Unidade Popular pelo Socialismo (UP).
Em seu perfil no Instagram, rede na qual tem pouco mais de 45 mil seguidores, Samara se apresenta como mãe de dois filhos, dentista do Sistema Único de Saúde (SUS) e defensora de um “programa revolucionário” que, entre outras coisas, foi elaborado como resposta à crise do sistema capitalista, que resultaria em superexploração dos trabalhadores e destruição da natureza.
Engajada em movimentos feministas e contra o racismo, Samara compartilha de pautas defendidas pelo presidente Lula, como a aprovação da PEC que acaba com a escala 6x1 de trabalho, mas tem propostas e discursos bem mais à esquerda do que aqueles apresentados pelo presidente e a cúpula do PT.
Exemplo: ela quer obrigar os parlamentares a usarem o SUS e o sistema público de educação. A iniciativa, segundo a pré-candidata, incentivaria o Congresso a aumentar o orçamento para a área social.
“É muito fácil quando você vai para os melhores hospitais do Brasil, tem um plano de saúde massa, não vai ter que ir com o seu filho para a porta da UPA tentar ser atendido a tempo. Então, que eles também usem o mesmo postinho que nós”, declarou em um ato público.
Correndo por fora
Segundo a última pesquisa Genial/Quaest, Samara Martins tem 1% de intenções de voto nas simulações de primeiro turno. Como a margem de erro é de dois pontos percentuais, aparece empatada com o lanterna Aldo Rebelo (DC), que não pontuou, Cabo Daciolo (Mobiliza – 1%), Renan Santos (Missão – 2%), Augusto Cury (Avante – 2%) e Romeu Zema (Novo – 3%). À frente deles estão Ronaldo Caiado (PSD), com 6%, e os favoritos Flávio Bolsonaro (PL) e Lula (PT), que marcam, respectivamente, 32% e 37%.
Cobiçadas nas campanhas eleitorais por serem a maioria do eleitorado, e representarem nove milhões de votos a mais do que os homens, as mulheres sempre tiveram papel de coadjuvante nas disputas por cargos de primeiro escalão no Executivo.
Em 2022, a ex-ministra Simone Tebet ficou em terceiro lugar na eleição presidencial, com pouco mais de 4% dos votos. Outras três concorrentes, num total de onze candidatos, não atingiram nem 1% dos votos. Em 2018, só duas mulheres concorreram ao Planalto entre treze postulantes. A ex-ministra Marina Silva, a mais bem colocada, ficou com 1%.
Apresentada inicialmente ao eleitorado como “a mulher do Lula”, Dilma Rousseff é o ponto fora da curva. Ela foi eleita em 2010, reeleita em 2014 e derrubada por um processo de impeachment em 2016. O histórico mostra que o desafio de Samara Martins não é dos mais fáceis.



