Uma nova rodada de pesquisas do Instituto Quaest reforçou um cenário já observado em levantamentos anteriores: o presidente Luiz Inácio Lula da Silva mantém ampla vantagem no Nordeste, enquanto o senador Flávio Bolsonaro domina a região Sul do país. No entanto, o centro da disputa presidencial está no Sudeste, que, segundo o editor de política de VEJA, José Benedito da Silva, deve funcionar como o “fiel da balança” da corrida ao Planalto.
O que mostrou a nova pesquisa nos estados?
O levantamento revelou cenários bastante distintos entre as regiões. No Rio Grande do Sul, Flávio Bolsonaro aparece com 57% das intenções de voto contra 31% de Lula. No Paraná, o senador registra 50%, enquanto o presidente tem 30%. Já no Nordeste, Lula mantém larga vantagem: em Pernambuco, o petista soma 57%, contra 23% de Flávio; na Bahia, o cenário é semelhante, com 55% a 22%.
Por que o Sudeste virou o centro da disputa?
Segundo José Benedito, a eleição tende a ser decidida justamente onde nenhum dos dois candidatos possui ampla superioridade. “Na região Sudeste, é uma briga de foice”, afirmou. O jornalista destacou que o equilíbrio nos maiores colégios eleitorais torna a disputa especialmente imprevisível. A pesquisa mostra Lula com 39% e Flávio Bolsonaro com 36% em Minas Gerais, cenário de empate técnico dentro da margem de erro. José Benedito lembrou que o estado teve peso decisivo em eleições anteriores e voltou a aparecer como peça central da disputa nacional.
O retrato regional consolidado
“Lula lidera no Norte e Nordeste, Flávio lidera na região Sul”, resumiu José Benedito. Segundo ele, a fragmentação territorial reforça a polarização política já observada nacionalmente. Para reagir no Sul, o presidente tem apostado em alianças pragmáticas, abrindo mão de candidaturas próprias do PT em alguns estados para apoiar nomes aliados. O objetivo é reduzir danos eleitorais onde o governo enfrenta maior rejeição. “Ele está fazendo palanques bastante pragmáticos no Sul”, afirmou o editor.
O Rio pode favorecer Lula?
Apesar da força do bolsonarismo no estado, José Benedito destacou que o prefeito Eduardo Paes, aliado de Lula, aparece fortalecido localmente. Segundo ele, a dinâmica fluminense ainda pode influenciar diretamente o desempenho presidencial na região Sudeste. Por enquanto, não há favorito claro no Sudeste. “Não tem, por enquanto, nenhum grande favorito no Sudeste”, afirmou José Benedito. Na avaliação dele, o equilíbrio regional mantém a eleição aberta e amplia a importância das campanhas estaduais e dos palanques locais.



