O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) determinou que o ministro das Relações Institucionais, José Guimarães, e o líder do governo no Congresso, Randolfe Rodrigues, mantenham o diálogo com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), sem intensificar tensões no momento. A orientação foi dada em reunião fora da agenda nesta segunda-feira (4), no Palácio do Planalto, para tratar da articulação política.
Balanço das derrotas
Segundo interlocutores, Lula avaliou a semana marcada por reveses para o governo. A queda do veto sobre a dosimetria era esperada, mas a rejeição do nome de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF) surpreendeu o Planalto. Presentes relataram que o presidente demonstrou insatisfação com o resultado histórico e cobrou ajustes na articulação, além de diagnósticos mais precisos sobre o cenário no Congresso.
Sem retaliação
Apesar de pressões de integrantes do governo e do PT por uma reação mais dura, Lula indicou que não retaliará Alcolumbre, apontado como articulador da derrota de Messias. A avaliação é que retirar cargos ou espaços políticos do senador poderia travar pautas prioritárias, como o projeto da jornada 6x1 e a PEC da segurança pública. A orientação foi manter a relação institucional e seguir em frente.
Na reunião, ficou definido que Jacques Wagner continuará na liderança do governo no Senado, apesar de críticas internas. Nos bastidores, aliados afirmam que o episódio terá desdobramentos políticos. A rejeição de um indicado com perfil religioso ao STF pode ser explorada na campanha eleitoral para atrair evangélicos. Além disso, governistas citam o caso Master, que envolve um aliado investigado que comandava a Amprev e fechou acordo bilionário com o banco Master, atingindo indiretamente Alcolumbre.



