Lula mantém apoio em São Paulo, mas enfrenta desafio de Flávio Bolsonaro em 2026
Lula estagnado em SP; Flávio Bolsonaro desafia em 2026

Estagnação eleitoral: Lula mantém apoio em São Paulo, mas enfrenta novo desafio bolsonarista

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva não registrou avanços significativos no maior colégio eleitoral do país após três anos e três meses de seu terceiro mandato. Uma análise comparativa entre os resultados das urnas de 2022 e a mais recente pesquisa de intenção de voto da AtlasIntel/Estadão revela uma situação de estagnação política no estado de São Paulo, cenário crucial para as eleições presidenciais de 2026.

Números que se repetem: pouca variação nas intenções de voto

Segundo o levantamento da AtlasIntel/Estadão, que possui margem de erro de dois pontos percentuais, Lula apresenta entre 40,9% e 42,5% nas simulações de primeiro turno para 2026. Esses percentuais são extremamente próximos ao desempenho registrado na eleição passada, quando o petista obteve 40,89% dos votos na rodada inicial de votação em São Paulo.

Nos cenários de eventual segundo turno no estado, o presidente marca entre 42,4% e 44%, também próximo dos 44,76% conquistados no embate direto contra Jair Bolsonaro em 2022. A consistência desses números indica uma base eleitoral consolidada, mas que não expandiu significativamente durante o atual mandato.

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Mudanças no campo oposicionista: Flávio Bolsonaro herda legado

Enquanto Lula mantém estabilidade, as transformações mais significativas ocorrem no campo oposicionista. O senador Flávio Bolsonaro (PL), filho do ex-presidente, ainda não alcança o desempenho paterno quando comparados os resultados de 2022 com as projeções para 2026.

Em São Paulo, Flávio marcaria 49% num eventual embate direto com Lula, que ficaria com 44%. Embora represente uma vantagem de cinco pontos percentuais, esse desempenho fica aquém dos 55,2% obtidos por Jair Bolsonaro no segundo turno de 2022, quando superou o petista por mais de dez pontos no estado.

Essa diferença é crucial: segundo aliados bolsonaristas, seria necessário abrir uma frente de aproximadamente quinze pontos no maior colégio eleitoral do país para garantir uma vitória nacional, objetivo que não foi alcançado em 2022 e representa um desafio para 2026.

Estratégias distintas para objetivos opostos

Na próxima campanha eleitoral, os antigos adversários terão metas completamente diferentes. Para Lula, o objetivo é impedir que a diferença entre ele e Flávio Bolsonaro em São Paulo cresça até alcançar o número considerado mágico de quinze pontos, mesmo que permaneça atrás do candidato oposicionista no estado.

Já para Jair Bolsonaro, a estratégia repete a de 2022: impulsionar o filho de forma a amealhar na região Sudeste uma cesta de votos capaz de superar a que será colhida pelo presidente no Nordeste, tradicional reduto petista.

Reedição da disputa pelo governo paulista

Em São Paulo, a campanha pelo governo estadual reeditará a disputa entre o governador Tarcísio de Freitas e o ex-ministro Fernando Haddad. De acordo com a AtlasIntel/Estadão, Tarcísio lidera nas projeções de primeiro e segundo turnos contra Haddad, obtendo vantagens similares às registradas nas votações de 2022 — sete e dez pontos percentuais, respectivamente.

O ex-ministro da Fazenda, mesmo derrotado em 2022, é considerado por Lula um dos responsáveis por conter o avanço da direita no estado a ponto de viabilizar a reeleição de Jair Bolsonaro. Essa avaliação revela a importância estratégica que São Paulo mantém no cenário político nacional.

Realismo petista: derrota estadual não significa derrota nacional

O Partido dos Trabalhadores reconhece a dificuldade de virar o jogo no maior colégio eleitoral do país em 2026. Por isso, considera mais do que suficiente que se repita a equação de 2022: uma derrota no estado de São Paulo que não impeça uma vitória nacional.

Essa perspectiva realista reflete a compreensão de que, embora São Paulo seja fundamental numericamente, outras regiões do país, especialmente o Nordeste, podem compensar eventuais perdas no estado mais populoso. A estratégia petista parece focada em consolidar suas bases tradicionais enquanto contém os avanços oposicionistas nos territários mais desafiadores.

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