O juiz da 1ª Vara de Crimes Tributários, Organização Criminosa e Lavagem de Dinheiro de Bens e Valores da Capital, Antonio Carlos Martins, condenou cinco réus ligados ao Primeiro Comando da Capital (PCC). Eles utilizavam uma rede de hotéis no centro de São Paulo para tráfico de drogas, exploração de prostituição, organização criminosa e ocultação de bens.
Penas aplicadas
De acordo com a sentença, as penas variam entre nove e treze anos de prisão, em regime inicial fechado. Vânio Faula de Oliveira foi condenado a 12 anos por organização criminosa, associação para o tráfico e exploração de prostituição. Juarez Faula de Oliveira, José Alves dos Santos e Wilson Mariano da Silva receberam nove anos por organização criminosa e associação para o tráfico. Márcio William dos Santos foi condenado a 13 anos por organização criminosa, associação para o tráfico e ocultação de patrimônio. Todos negaram os crimes e afirmaram não integrar o PCC.
Investigação do Gaeco
Segundo denúncia do Ministério Público de São Paulo (MP-SP), os condenados integravam o chamado núcleo dos hotéis do PCC, responsável por explorar estabelecimentos na região da Cracolândia. Os imóveis serviam como pontos de apoio para atividades ilícitas, incluindo armazenamento e venda de drogas, além de ocultar recursos obtidos com crimes da facção. Investigações do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) indicaram que parte dos hotéis funcionava como fachada para lavagem de dinheiro do tráfico, abrigando integrantes da organização e pessoas envolvidas em furtos, roubos e receptação.
Ecossistema criminoso
Relatórios da investigação descrevem um ecossistema criminoso estruturado no centro da capital, com atuação coordenada de traficantes, receptadores e exploradores de atividades ilegais. O juiz afirmou que não há dúvidas de que parte da região central, conhecida como Cracolândia, concentra muitos hotéis, hospedarias e pensões, e que significativa parcela desses estabelecimentos passou a ser usada como refúgio por usuários de drogas e para armazenamento de entorpecentes, integrando-se ao ecossistema criminoso local.
Ocorrências policiais
Em um dos hotéis citados, a Polícia Militar de São Paulo registrou 51 chamadas para ocorrências em seis meses de 2023, incluindo denúncias de feira de entorpecentes na calçada e troca de celulares furtados por drogas. O juiz decretou o perdimento em favor do Estado de São Paulo dos hotéis Manaus, Neon, Vectra, La Plata, Joia Rara, Rosa Branca, Telaviv e Flipper.
Defesa dos réus
Os defensores dos condenados solicitaram a declaração de inépcia da denúncia e pediram a absolvição. Em depoimento, os réus negaram envolvimento com o PCC ou a prática dos crimes. Cabe recurso junto ao Tribunal de Justiça de São Paulo.



