Escutas revelam como deputado Hermeto atuou em suposto desvio milionário na Educação
Escutas revelam atuação de deputado em desvio na Educação

Escutas telefônicas obtidas pelo Ministério Público do Distrito Federal revelaram como o deputado distrital Hermeto (MDB) teria atuado em um esquema que causou um suposto desvio milionário na Secretaria de Educação do DF. O caso ocorreu em 2020, envolvendo aluguel superfaturado de um galpão para abrigar alunos de uma escola pública.

O esquema investigado

Segundo as investigações, a coordenadora de ensino Ana Maria Alves da Silva alegou, sem comprovação técnica, que a escola Centro Educacional 1 da Candangolândia estava em condições precárias. Em vez de realizar reparos, ela iniciou um processo de locação de um imóvel. O empresário Carlos Eduardo Coelho Ferreira ofereceu um galpão que ainda não possuía, localizado em um setor de motéis, para ser alugado e receber os estudantes. O valor do aluguel, de R$ 329 mil por mês, teria sido usado por ele para financiar outro imóvel. O contrato de cinco anos totalizaria R$ 20 milhões.

O deputado Hermeto teria sido peça-chave para que o então secretário de Educação, João Pedro Ferraz, viabilizasse o contrato fraudulento. Em 15 de janeiro de 2020, Hermeto conversou com Ana Maria, que pediu que ele ligasse para o secretário para acelerar a publicação de uma dispensa de licitação. O deputado concordou e pediu que ela preparasse um texto para ele saber o que dizer. Após a intervenção de Hermeto, a minuta do contrato foi encaminhada por e-mail ao empresário ainda na mesma tarde.

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Interligações telefônicas

No dia seguinte, Hermeto comunicou a Carlos Eduardo que havia ligado para o secretário e que a dispensa de licitação seria publicada e o contrato assinado naquele dia. O deputado afirmou que, se eles não tivessem entrado no circuito, as coisas não andavam, e que o secretário era "chegado" a ele.

Em 17 de janeiro de 2020, Hermeto conversou novamente com o empresário, que disse que a vistoria no local havia sido aprovada pelo secretário. O deputado respondeu: "Sabendo já. Num te falei que eu boto quente?" e garantiu que o secretário assinaria o contrato. Para o MP, o secretário João Pedro Ferraz aderiu ao esquema ao chancelar a contratação direcionada mesmo após vistoriar o imóvel.

Detalhes do desvio

Conforme apurado pela TV Globo, Ana Maria iniciou o processo administrativo de aluguel sem apresentar laudo técnico que comprovasse a precariedade da escola. O empresário Carlos Eduardo ofereceu um imóvel que ainda não era dele; o dinheiro pago pela Secretaria de Educação foi usado para financiar um imóvel vizinho ao que já possuía. O deputado Hermeto teve "papel decisivo" ao intermediar o contato com o secretário para garantir a assinatura do contrato. Além disso, ele direcionou R$ 27 milhões em emendas parlamentares do Programa de Descentralização Administrativa e Financeira (PDAF) para uma associação ligada a Ana Maria. As investigações apontam graves irregularidades nas prestações de contas, como notas fiscais suspeitas, orçamentos de empresas sem atividade econômica compatível e valores superfaturados.

Defesas dos envolvidos

Em nota, o deputado Hermeto negou participação ou influência no processo licitatório, afirmando que sua atuação se limitou a pedir celeridade na assinatura do contrato para garantir a transferência dos alunos para uma estrutura mais adequada, visando o interesse público. A Secretaria de Educação disse que a interdição da escola ocorreu para intervenções estruturais e que a escolha do galpão observou critérios técnicos. Sobre a reconstrução da escola, alegou que o atraso se deve à complexidade dos trâmites administrativos. A reportagem não conseguiu contato com as defesas de Ana Maria, João Pedro Ferraz e Carlos Eduardo.

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