Edson Gomes: carreira de reggae, polêmicas e acusação de Daniela Mercury
Edson Gomes: reggae, polêmicas e acusação de Daniela Mercury

Edson Gomes, de 70 anos, um dos maiores nomes do reggae brasileiro, viu sua trajetória de mais de cinco décadas ser marcada por uma nova polêmica. Na terça-feira (28), a cantora Daniela Mercury o acusou publicamente de violência doméstica durante a entrega do Troféu Armandinho e Irmãos Macedo. O episódio reacendeu debates sobre a obra e as posições do artista.

Carreira e influências

Natural de Cachoeira, no Recôncavo Baiano, Edson Gomes começou na música ainda na adolescência, nos anos 1970, participando de festivais e shows. Influenciado por Tim Maia, Bob Marley e Jimmy Cliff, ele desenvolveu um estilo próprio que mescla reggae com referências da cultura afro-brasileira. Seu primeiro disco, “Reggae Resistência”, foi lançado em 1988, mas a fama veio com canções como “Liberdade”, “Árvore”, “Sistema do Vampiro”, “Malandrinha”, “Samarina” e “Camelô”. Essas músicas, que denunciam desigualdades sociais, violência policial e racismo, foram regravadas por artistas de diversos gêneros.

A acusação de Daniela Mercury

Na cerimônia do Troféu Armandinho e Irmãos Macedo, Daniela Mercury pediu que Edson tratasse a esposa com carinho e clamou contra a violência contra a mulher, especialmente as negras. Edson, que estava no evento, subiu ao palco e exigiu provas: “Tentou me envergonhar na frente de todo mundo. Eu quero que ela prove. Quem é que eu espanco?”. Posteriormente, Daniela se desculpou, admitindo não ter provas. Em nota divulgada na quarta (29), ela lamentou que sua manifestação tenha gerado interpretação diferente da pretendida.

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Polêmicas recentes

Fora dos palcos, Edson Gomes tem feito declarações que geram controvérsia. Em fevereiro, durante um show, ele convocou pais a reagirem contra o que chamou de “caça” aos filhos pelos comunistas. Em janeiro de 2022, no podcast Bahia Cast, chamou sindicalistas de “canalhas” por usarem suas músicas sem contratá-lo. Em outra ocasião, afirmou que sua música “nunca esteve atrelada à política” e que o músico não deve se envolver com política. Também criticou o Bolsa Família, dizendo que o programa mantém o povo necessitado para “chantagens políticas”, e questionou o Dia da Consciência Negra, classificando-o como uma “distração”.

Reações e contradições

As declarações provocaram reações da deputada estadual Olívia Santana (PCdoB), que criticou a “radicalização à direita” do cantor. Para ela, há um abismo entre as letras de Edson, que criticam o sistema capitalista, e sua postura atual. “Edson Gomes compõe como um comunista, mas fora da vida artística age como qualquer pessoa de direita”, afirmou. Apesar das críticas, Edson defende sua autenticidade: “Minha hipocrisia vai ser eterna”, disse em entrevista.

Obra de resistência

Independentemente das polêmicas, a discografia de Edson Gomes continua sendo trilha sonora de resistência para a população negra e periférica. Em “Sistema do Vampiro” (1988), ele denuncia a negligência social: “Estamos largados nas calçadas. Nós não temos nem moradia, não temos nada. Esse sistema é um vampiro!”. Em “Criminalidade” (1992), defende a organização coletiva, e em “Camelô” (1997), dá voz ao trabalhador informal. Títulos como “Acorde, Levante, Lute” (2001) reforçam o caráter político de sua obra, mesmo que o artista negue vínculos partidários.

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