Justiça Federal paralisa mina da Vale em Minas Gerais após transbordamento de cava
Justiça paralisa mina da Vale em MG após transbordamento

Justiça Federal determina paralisação imediata de mina da Vale em Minas Gerais

A Justiça Federal emitiu uma decisão que suspende imediatamente as operações da Mina de Fábrica, pertencente à Vale, localizada na região entre as cidades de Ouro Preto e Congonhas, na Região Central de Minas Gerais. A medida atende parcialmente a um pedido do Ministério Público Federal (MPF), que também havia solicitado o bloqueio de R$ 1 bilhão em contas bancárias da mineradora – aspecto que será analisado em momento posterior.

Contexto do transbordamento e decisões judiciais

A suspensão das atividades na Mina de Fábrica já havia sido ordenada pela Justiça de Minas Gerais na última sexta-feira, também atendendo parcialmente a um pedido do Ministério Público estadual. Segundo a Vale, as operações no complexo já se encontram paralisadas, conforme comunicado da empresa.

As decisões judiciais estão diretamente relacionadas ao transbordamento de aproximadamente 262 mil metros cúbicos de água e sedimentos de uma cava da mina, ocorrido em 25 de janeiro de 2026. De acordo com o MPF, a estrutura funcionava, na prática, "como uma barragem para conter resíduos vindos de outras unidades sem a devida autorização".

Restrições e obrigações impostas pela Justiça

A determinação da Justiça Federal permite apenas ações emergenciais de prevenção, contenção, estabilização ou fiscalização na mina, em casos específicos de cumprimento de ordens judiciais ou de órgãos reguladores e ambientais competentes.

Além disso, a Justiça ordenou o bloqueio dos direitos de exploração mineral da unidade de Fábrica junto à Agência Nacional de Mineração (ANM). Isso significa que a Vale não pode vender ou transferir a permissão de exploração dessa mina para terceiros, limitando suas operações comerciais relacionadas ao local.

Posicionamento da Vale e compromissos de segurança

Em nota oficial, a Vale afirmou que já suspendeu as operações na mina e "irá se manifestar tempestivamente sobre as ações demandadas, colaborando integralmente com as autoridades competentes e prestando todos os esclarecimentos necessários".

A mineradora também reiterou seu compromisso com a segurança das pessoas e de suas operações, esclarecendo que suas barragens na região mantêm condições de estabilidade e segurança inalteradas, buscando tranquilizar a comunidade e investidores.

Exigências do MPF e prazos para cumprimento

Segundo o MPF, a Vale terá de informar, em um prazo de 72 horas, se existem outras estruturas com funcionamento semelhante em todas as suas minas em Minas Gerais. Caso existam, a mineradora terá de revisar as condições de segurança e apresentar provas documentais à Justiça.

No mesmo prazo, a companhia deverá esclarecer se o plano de ação de emergência foi acionado no dia do transbordamento, avaliando a resposta inicial ao incidente.

Por fim, a Justiça estabeleceu um prazo de cinco dias para que a Vale apresente documentos técnicos e relatórios de monitoramento detalhados, permitindo que especialistas avaliem a extensão dos danos e a eficácia das medidas de contenção adotadas.

Em caso de descumprimento dessas obrigações, a mineradora enfrentará uma multa diária de R$ 500 mil, reforçando a pressão judicial para o cumprimento das determinações.

Relembrando os incidentes de janeiro de 2026

Duas ocorrências relacionadas a transbordamento de água foram registradas em diferentes minas da Vale, na Região Central de Minas Gerais, em 25 de janeiro:

  • Na Mina de Fábrica, uma cava transbordou, e cerca de 260 mil metros cúbicos de água com sedimentos foram carreados por um curso d'água local, atingindo a área da CSN, mineradora vizinha.
  • No mesmo dia, houve extravasamento de água no sump, uma estrutura de drenagem, na Mina de Viga, em Congonhas.

A Vale informou que as duas ocorrências tiveram relação com o alto volume de chuvas na região. Segundo o governo de Minas Gerais, foram detectados danos ambientais decorrentes do carreamento de sedimentos e assoreamento de cursos d'água, resultando em autuação da mineradora.

Esses eventos destacam os desafios contínuos na gestão de riscos ambientais no setor de mineração, especialmente em áreas suscetíveis a intempéries climáticas, exigindo maior rigor nas operações e na fiscalização por parte das autoridades.