Lula exalta políticas para mulheres e critica Bolsonaro em discurso com palavrões em Mauá
Lula critica Bolsonaro e exalta mulheres em discurso com palavrões

Em um evento marcado por quebras de protocolo e linguagem direta, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) utilizou palavrões e discurso informal para exaltar políticas públicas voltadas para mulheres e fazer críticas indiretas ao seu adversário político, Jair Bolsonaro (PL). O ato ocorreu na tarde desta segunda-feira (9) em Mauá, cidade da Grande São Paulo, durante cerimônia sobre investimentos em saúde e educação.

Discurso com tom eleitoral e foco em mulheres

Em clima claramente eleitoral, o presidente direcionou sua fala para segmentos considerados estratégicos para as eleições de 2026, especialmente jovens e mulheres. Lula associou esses dois grupos e enfatizou a importância da educação feminina, afirmando que "menina sem educação vai ser assediada".

O petista foi enfático ao defender a autonomia das mulheres: "A mulher não é propriedade do homem. Ela é livre", declarou. "Uma mulher, quando tem uma profissão, vai morar com alguém se quiser, vai ficar com alguém se ela gostar. Não pode ficar [com alguém] por conta de um prato de comida."

Críticas à violência doméstica e duplo padrão

Lula propôs mudanças no currículo escolar, desde a creche até a universidade, para que os homens aprendam "que não são melhores que as mulheres" e destacou a necessidade de intervenção em casos de agressão. "Mulher não é saco de pancada de ninguém. Mulher tem que ser respeitada, ela passa o dia inteiro cuidando das crianças, lavando merda, lavando fralda, lavando cama, lavando banheiro, fazendo comida", descreveu.

O presidente também criticou o que chamou de duplo padrão comportamental: "Nós homens, quando tomamos uma cachaça fora e chegamos em casa tarde, a gente quer que nossa mulher entenda. 'Não, amor, entenda, eu estava com os meus amigos, eu estava jogando bola'. A gente quer que a mulher compreenda, mas, quando a gente chega em casa, que a mulher não está e ela demora meia hora para chegar, nós já ficamos putos da vida, ficamos nervosos e já ficamos xingando".

Crítica a preconceito contra exame de próstata

Em um momento que misturou humor e crítica social, Lula atacou homens que evitam o exame de toque retal para detecção precoce do câncer de próstata por preconceito: "Enquanto a mulher se submete a um monte de exames, o homão tem vergonha de tomar uma dedada".

Comparações com governos anteriores

O evento contou também com discursos dos ministros da Saúde, Alexandre Padilha (PT), da Educação, Camilo Santana (PT), e do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), todos com tom eleitoral e comparações entre a gestão atual e os governos de Bolsonaro e Michel Temer (MDB).

Alckmin criticou a educação no governo anterior: "A única discussão era homeschooling: estudar fora da escola. Estudar em casa. Proposta racista que nasceu nos EUA, quando a Suprema Corte decidiu que deviam estudar na mesma escola brancos e negros". "Hoje, a prioridade é creche para a mamãe poder ter tranquilidade, escola de tempo integral, Pé-de-meia", afirmou.

Padilha fez críticas diretas ao governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), ao afirmar que alguns estados tentam se apropriar de programas federais: "Tem estado que criou a tabela do estado tal. Aqui em São Paulo está acontecendo isso. Vai na TV, fala que criou uma tabela com o nome do estado de São Paulo e não mostra que 70% do recurso dessa tabela é do governo federal".

O ministro foi além: "Eu só quero que se reconheça que o ex-presidente que governou esse país não deu um real para esse estado durante todo o período que governou", em referência clara a Bolsonaro, padrinho político de Tarcísio.

Lula ataca Bolsonaro diretamente

Ao lado de prefeitos do ABC filiados ao PL, Lula também atacou seu antecessor: "Se todo presidente da República e todos os governadores fizessem assim, a gente teria muito menos problemas. Vocês sabem que, no governo passado, os estados do Nordeste que não estavam do lado do presidente não receberam um centavo de ajuda para nada. E podem ter certeza de que eu estou colocando mais dinheiro no estado de São Paulo do que qualquer presidente".

Atos falhos e estratégia eleitoral

Durante o discurso, Lula cometeu um ato falho ao mencionar "a Marisa", referindo-se à primeira-dama Marisa Letícia Lula da Silva, falecida em 2017, antes de se corrigir e dizer "Janja" – Rosângela Lula da Silva, 59, com quem é casado desde 2022.

O petista, candidato à reeleição em 2026, deu início à campanha com estratégia que valoriza programas de governo como Pé-de-meia, Gás do Povo e Desenrola. Pela manhã, havia participado de ato no Instituto Butantan, em São Paulo, anunciando investimentos em infraestrutura e produção de vacinas.

No evento matinal, Esper Kallás, diretor do instituto, emocionou-se ao falar da importância da ciência e do SUS no país. O governador Tarcísio de Freitas não compareceu ao ato. Lula ainda reforçou discurso sobre soberania nacional e fez referência ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump: se "conhecesse o que é a sanguinidade de Lampião num presidente, não ficaria provocando a gente".