Um único ato insensato de um soldado israelense causou mais danos à imagem de Israel do que milhares de influenciadores que atacam o estado judeu, seja por convicção ou antissemitismo. As autoridades israelenses ainda tentam administrar o prejuízo incalculável gerado pelo vandalismo contra a imagem de Jesus crucificado em um pequeno vilarejo no sul do Líbano.
Punição considerada insuficiente
O soldado que cometeu o ato e o que o fotografou foram expulsos do exército e condenados a 30 dias de prisão. A punição, no entanto, é vista como insuficiente para acalmar a revolta provocada pela cena. Pessoas razoáveis entendem que foi um ato isolado de um idiota, talvez motivado por antipatia religiosa ou pelo desejo de abusar da posição de força. Mas há muitos irracionais, e imagens de profanação atingem zonas emocionais que não reagem a argumentos lógicos.
Impacto na imagem internacional de Israel
O analista Lazar Berman, do Times of Israel, resumiu o tamanho do estrago: "É difícil pensar numa imagem que poderia ser mais prejudicial a Israel no cenário mundial nesse momento". O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu e outras autoridades condenaram o ato nos termos mais veementes. Todos entendem o prejuízo num momento em que a desaprovação a Israel atinge níveis sem precedentes, inclusive nos Estados Unidos, tradicional fortaleza de apoio.
Os evangélicos americanos, que são inabaláveis no apoio a Israel, são justamente o público mais suscetível a se ofender com a profanação. Perder os evangélicos seria quase como perder os Estados Unidos, um desastre existencial para Israel. Isso ocorre num momento em que parte da antiga direita trumpista está criticando o presidente que antes venerava, acusando-o de entrar em guerra contra o Irã para atender aos interesses de Israel.
Pesquisa mostra opinião desfavorável
Segundo pesquisa do Pet Research Center, 60% do público americano tem opinião desfavorável sobre Israel, contra 37% favoráveis. Entre democratas, a animosidade chega a 80% (era 53% em 2022 e 69% em 2025). Mesmo entre republicanos, a desaprovação é de 41%. Entre adultos jovens conservadores (18-49 anos), chega a 57%. Netanyahu é visto com desconfiança por 59% dos americanos (76% entre democratas, 44% entre republicanos).
Donald Trump disse recentemente que Israel não influenciou sua decisão de bombardear alvos militares no Irã, possivelmente reagindo aos números. Também usou termos fortes ao postar que Israel estava proibido de continuar bombardeando o Líbano, terminando com o imperativo "Chega".
Reações e consequências
Lazar Berman comentou que, quando a imagem surgiu, simpatizantes de Israel rezaram para que não fosse verdadeira. Suas preces não foram atendidas, e as forças anti-israelenses ganharam mais um elemento. Uma única marretada destruiu a argumentação israelense de que o cristianismo se beneficia da liberdade religiosa em Israel, imagem já prejudicada por ultraortodoxos que cuspiam em peregrinos cristãos em Jerusalém. Atos de idiotas ou fanáticos têm peso desproporcional em questões religiosas, e as autoridades, conscientes das consequências, correm atrás do prejuízo.



