O rei Charles III da Inglaterra chegou aos Estados Unidos neste sábado (25) para uma visita de Estado de quatro dias, mesmo após um tiroteio ocorrido durante um jantar com a imprensa na mesma noite. O monarca e sua esposa, a rainha Camilla, desembarcaram em Washington em um momento de tensão entre os dois países aliados históricos.
Discurso no Congresso dos EUA
Nesta terça-feira (28), Charles III discursa no Congresso dos EUA, em Washington, com duração prevista de cerca de 20 minutos. Segundo a agência Reuters, o rei buscará reforçar os laços entre os Estados Unidos e o Reino Unido, pregando a união e a defesa dos valores democráticos. Uma autoridade do palácio de Buckingham afirmou que, apesar das diferenças ocasionais, o rei dirá que "repetidas vezes, nossos dois países sempre encontraram maneiras de se unir". Charles também adotará cautela sobre ações unilaterais dos EUA no mundo e fará menções à Otan e à Ucrânia.
Contexto de tensão
A visita ocorre em meio a um momento conturbado entre Londres e Washington, pouco depois de um homem armado invadir um jantar com a imprensa no sábado (25) com a intenção de atirar no ex-presidente Donald Trump. Apesar do incidente de segurança, a programação foi mantida, com reforço na proteção do monarca.
Planejada antes da guerra com o Irã, a visita também marca os 250 anos da independência americana. A agenda foi definida antes da ofensiva liderada por Trump e pelo primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, contra o Irã.
Agenda do rei
Após o discurso no Congresso, Charles e Camilla participam de um banquete oficial. Na quarta-feira (29), o casal segue para Nova York, onde prestará homenagem às vítimas dos atentados de 11 de setembro e participará de um evento com representantes das indústrias criativas. Na quinta-feira (30), a agenda continua no estado da Virgínia, em celebrações pelos 250 anos da independência americana.
Crise diplomática
Historiadores britânicos classificam o momento como a pior crise anglo-americana em um século, segundo a AFP. Trump tem feito críticas públicas ao primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, chamando os porta-aviões britânicos de "brinquedos" e afirmando que o premiê "não é Winston Churchill".
Um dos pontos de atrito envolve a soberania das Ilhas Malvinas. Um e-mail vazado do Pentágono indicou que os EUA poderiam rever o apoio ao Reino Unido no tema. O governo britânico reagiu, reiterando que o arquipélago pertence ao país desde 1833, apesar da disputa com a Argentina. Embora a Casa Branca não tenha comentado oficialmente o vazamento, o documento é visto como pressão sobre aliados da OTAN que, na avaliação de Trump — como Reino Unido e Espanha —, estariam contribuindo menos do que o esperado na guerra contra o Irã. Além disso, Trump é alinhado politicamente com o presidente argentino Javier Milei.



