O presidente da Rússia, Vladimir Putin, anunciou nesta segunda-feira, 27, que está preparado para “fazer tudo” ao seu alcance para ajudar o Irã a encerrar a guerra contra os Estados Unidos e Israel nos seus próprios termos. A declaração ocorreu durante uma reunião com o chanceler iraniano, Abbas Araghchi, que viajou a São Petersburgo para encontrar-se com o aliado.
“De nossa parte, faremos tudo o que atenda aos seus interesses, aos interesses de todos os povos da região, para que a paz seja alcançada o mais rápido possível”, afirmou Putin, acrescentando que o povo iraniano vai superar o que descreveu como um “período difícil”.
Mensagem do novo líder supremo
O presidente russo também disse ter recebido uma mensagem do novo líder supremo do Irã, Mojtaba Khamenei, sem detalhar o conteúdo, segundo a agência de notícias russa RIA. Ele pediu que Araghchi transmita “votos de boa saúde” ao aiatolá, que deve usar uma prótese na perna e passar por cirurgia plástica após ficar gravemente ferido nos mesmos bombardeios americanos e israelenses que mataram seu pai e antecessor, Ali Khamenei.
Quase três semanas após o cessar-fogo anunciado depois de 40 dias de combates entre Irã, Israel e Estados Unidos, a Rússia continua sendo uma das principais bases de apoio da República Islâmica.
Chanceler culpa EUA por fracasso de negociações
Ao pousar na Rússia nesta segunda, o chanceler iraniano culpou Washington pelo fracasso das negociações de 11 de abril no Paquistão, país que atua como mediador, em meio ao suspense sobre uma possível nova rodada de conversas. “A abordagem dos Estados Unidos fez com que a rodada anterior de negociações, apesar dos avanços, não alcançasse os objetivos”, disse Araghchi, citado pela imprensa estatal iraniana. Ele acrescentou que a delegação americana apresentou “exigências excessivas”.
Proposta iraniana
Araghchi se reuniu no sábado, em Islamabad, com uma delegação paquistanesa, incluindo o comandante das Forças Armadas do país, Asim Munir, o primeiro-ministro Shehbaz Sharif e o chanceler Ishaq Dar, antes de seguir viagem para Omã, com quem compartilha a gestão do Estreito de Ormuz, e retornar à capital do Paquistão. O chanceler iraniano publicou no X (ex-Twitter) que as conversas em Omã se concentraram em garantir a passagem segura pela nevrálgica rota marítima “para o benefício de todos os queridos vizinhos e do mundo”.
De acordo com o portal de notícias americano Axios, o Irã enviou aos Estados Unidos uma nova proposta para a reabertura da passagem e o fim da guerra, em troca da suspensão do bloqueio naval americano aos portos iranianos, que vigora há duas semanas. A oferta, no entanto, adiaria as negociações sobre o seu programa nuclear.
Resposta de Trump
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, demonstrou pouco pendor em aceitar. Depois de sinalizar que deseja manter o bloqueio naval contra o Irã, ele cancelou novamente uma visita de sua comitiva ao Paquistão e afirmou em entrevista à emissora conservadora Fox News que está sufocando as exportações de petróleo iranianas, na esperança de que isso leve Teerã a fazer concessões nas próximas semanas. Especula-se que, ainda nesta segunda-feira, a cúpula da Casa Branca realize uma reunião para tratar do assunto.
A nova proposta, que teria sido apresentada aos Estados Unidos por meio de mediadores paquistaneses, segundo o Axios e a agência de notícias The Associated Press, partiria de um cessar-fogo prorrogado por um longo período ou do fim permanente da guerra. Segundo o plano, as negociações nucleares só começariam posteriormente, após a abertura do estreito pelo Irã e o levantamento do bloqueio americano.



