Putin justifica guerra contra Ucrânia em discurso no Dia da Vitória na Rússia
Putin justifica guerra no Dia da Vitória na Rússia

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, utilizou o discurso anual do Dia da Vitória, celebrado em formato reduzido neste sábado (9), para justificar a guerra contra a Ucrânia e criticar a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan). Durante uma fala de oito minutos, Putin declarou: “O grande feito da geração vitoriosa inspira os soldados que hoje executam as tarefas da operação militar especial. Eles estão enfrentando uma força agressiva, armada e apoiada por todo o bloco da Otan. E, apesar disso, nossos heróis avançam.” O líder russo também afirmou: “Estou firmemente convencido de que nossa causa é justa. Estamos juntos. A vitória foi nossa, e será para sempre.”

Desfile na Praça Vermelha

O evento ocorreu na Praça Vermelha de Moscou e teve duração de apenas 45 minutos. O feriado nacional é o mais reverenciado na Rússia, celebrando a vitória da União Soviética sobre a Alemanha nazista e homenageando os 27 milhões de cidadãos soviéticos mortos, incluindo muitos ucranianos. Apesar da trégua de três dias entre Rússia e Ucrânia, anunciada na véspera pelo presidente americano Donald Trump, ainda havia receio de ataques de drones ucranianos. Por isso, o desfile não contou com a exibição tradicional de armamentos militares, como mísseis balísticos intercontinentais. Em vez disso, armas como o míssil Yars, o submarino nuclear Arkhangelsk, a arma a laser Peresvet, o caça Su-57, o sistema S-500 e diversos drones foram mostrados em telões gigantes na praça e na televisão estatal.

Soldados e marinheiros marcharam e saudaram Putin, que assistia ao desfile ao lado de veteranos russos, à sombra do Mausoléu de Vladimir Lenin. Tropas norte-coreanas, que lutam contra ucranianos na região russa de Kursk, também participaram da marcha.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

Trégua de três dias

Após acusações mútuas de violação de cessar-fogos unilaterais, o presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou um cessar-fogo de três dias, de sábado a segunda-feira, apoiado por Rússia e Ucrânia. Ambos os lados concordaram em trocar 1.000 prisioneiros. Trump declarou: “Eu gostaria que isso parasse. Rússia-Ucrânia é a pior coisa desde a Segunda Guerra Mundial em termos de qualidade de vida. Vinte e cinco mil jovens soldados todos os meses. É uma loucura.” Ele também manifestou desejo de “ver uma grande prorrogação” da trégua.

A Rússia, que invadiu a Ucrânia em 2022, havia alertado que qualquer tentativa de Kiev de interromper o evento resultaria em um ataque maciço com mísseis contra a capital ucraniana. Moscou orientou diplomatas estrangeiros a evacuar suas equipes em Kiev caso isso ocorresse. O presidente ucraniano Volodymyr Zelenskiy emitiu um decreto irônico “permitindo” o desfile e afirmando que as armas ucranianas não visariam a Praça Vermelha.

Segurança reforçada em Moscou

A segurança foi intensificada na capital russa. Imagens da Reuters mostravam soldados armados em caminhonetes e ruas bloqueadas no centro. As autoridades também cortaram a internet no centro de Moscou, e muitas ruas estavam quase vazias, segundo a AFP. Entre os moradores, a esperança de paz é baixa. Elena, economista de 36 anos, disse à AFP: “O fim do conflito não será em breve, por mais que todos queiramos a paz.” Ela se mostrou irritada com o corte de internet: “Eu preciso dela, e não tem.” Daniil, de 26 anos, afirmou que o dia 9 de maio é “um dia como qualquer outro” e, ao ser perguntado se a trégua é um prelúdio para a paz, respondeu com um seco “não”.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar