O preço do petróleo está oscilando nesta sexta-feira (1°), após registrar dois dias consecutivos de forte alta. Referência mundial, o barril Brent chegou a US$ 112,43 (R$ 556,79), alta de 1,84%, às 3h30 (horário de Brasília), mas recuou depois e estava a US$ 110,17 (R$ 545,59), variação negativa de 0,21%, às 9h20, para o contrato de julho, o mais negociado. No dia anterior, o petróleo alcançou US$ 114,70, maior valor desde 31 de março.
Contratos de curto prazo atingem picos
Para o contrato de junho, com entrega de curto prazo, o barril Brent chegou a US$ 126,41, a cotação mais alta em quatro anos, segundo o jornal The New York Times. Porém, ele não é a referência do mercado, já que possui volume de negociação menor do que os acordos para julho. O petróleo WTI (West Texas Intermediate), utilizado nos EUA, foi a US$ 106,62 (R$ 528,01) às 3h30, mas recuou para US$ 104,20 (R$ 516,03), queda de 0,83%, às 9h10, para o contrato de junho.
Tensões geopolíticas elevam riscos
A nova subida reflete a preocupação com as novas ameaças entre EUA e Irã, que parecem distantes de um acordo. Na quinta-feira (30), o presidente norte-americano, Donald Trump, se reuniu para discutir um plano de novos ataques ao território iraniano, visando aumentar o estrangulamento da economia local com o impedimento do envio de petróleo a países aliados.
Os EUA bloquearam o tráfego de embarcações pelo estreito de Hormuz, por onde passa 20% da produção mundial de petróleo e gás, no início de abril. Desde então, o governo divulgou que mais de 40 navios foram impedidos de transitar na região e entregar os barris. O Irã, por sua vez, está impedindo o tráfego desde 28 de fevereiro, quando começaram os ataques de norte-americanos e israelenses.
Irã planeja resposta ampla
O regime iraniano ativou defesas aéreas e planeja uma resposta ampla se for atacado, tendo avaliado que haverá um ataque curto e intensivo dos EUA, possivelmente seguido por um ataque israelense, disseram duas pessoas do alto escalão do Irã à agência de notícias Reuters. O Irã exige manter o controle sobre o estreito de Hormuz e continuar com seu programa de enriquecimento de urânio, que afirma ser exclusivamente para fins civis.
O regime enviou uma nova proposta de acordo nesta semana, e os EUA avaliam as condições. Em meio às negociações, o conselheiro presidencial dos Emirados Árabes Unidos, Anwar Gargash, afirmou que o Irã não tem credibilidade. "Nenhum arranjo unilateral iraniano pode ser confiável ou considerado após sua agressão traiçoeira contra todos os seus vizinhos", afirmou Gargash. Os Emirados Árabes foram um dos países atacados por mísseis iranianos durante esses dois meses de conflito.
Impacto econômico e prazos legais
"A cada dia que passa, o risco econômico cresce", comentou Jeff Buchbinder, estrategista-chefe de ações da LPL Financial. "Se estivermos aqui daqui a um ou dois meses, e o Brent ainda estiver acima de US$ 120, e ainda tivermos um bloqueio e talvez bombas ainda estejam caindo, esse é um cenário muito diferente do que estamos vendo agora", complementou.
Nesta sexta-feira, Trump enfrenta um prazo formal dos EUA para encerrar a guerra ou apresentar ao Congresso argumentos para estendê-la sob a Resolução de Poderes de Guerra de 1973. O secretário de Defesa, Pete Hegseth, afirmou que não será necessária a aprovação do Congresso, já que o cessar-fogo paralisa a contagem dos dias. O presidente já teria alertado funcionários que o confronto deve se estender por um período longo. Atualmente, os dois países estão em cessar-fogo sem prazo determinado para acabar.
Coalizão internacional para reabrir Hormuz
Sem uma resolução a curto prazo, os norte-americanos voltaram a solicitar que outros países formem uma coalizão internacional para reabrir Hormuz, agora sob o nome de Construção da Liberdade Marítima (MFC, na sigla em inglês). O pedido já havia sido feito em março, mas não foi apoiado por alguns dos principais aliados dos EUA, como Reino Unido, França, Itália, Japão e Coreia do Sul.
"A MFC constitui um primeiro passo crítico no estabelecimento de uma arquitetura de segurança marítima pós-conflito para o Oriente Médio", informa o telegrama do governo dos EUA, que deverá ser transmitido oralmente às nações parceiras até 1º de maio. A maioria das principais Bolsas pelo mundo ficaram fechadas nesta sexta-feira, em virtude do feriado do Dia do Trabalho. A exceção é Londres, que registrava queda de 0,53%, às 9h20.



