A administração Trump intensifica a pressão sobre Cuba, combinando o aperto do embargo com a abertura de canais de negociação. A recente visita do diretor da CIA, John Ratcliffe, a Havana, onde se reuniu com Raúl Guillermo González Castro, conhecido como Raulito, neto do ex-presidente Raúl Castro, sinaliza uma abordagem multifacetada. Enquanto o regime cubano denuncia uma suposta invasão americana, nos bastidores, figuras como Raulito buscam uma saída negociada para a crise.
Estratégia de pressão e negociação
O embargo de combustíveis, imposto por Trump, acelerou a falência do sistema cubano, deixando a população sem eletricidade e provocando pequenos protestos. A escolha de Ratcliffe, em vez do secretário de Estado Marco Rubio, conhecido por sua linha dura, gerou especulações. Acredita-se que Trump esteja experimentando alternativas, incluindo a cooptação de setores do regime, similar ao que ocorreu na Venezuela com a captura de Nicolás Maduro.
Pesquisa revela desejo de mudança radical
Uma pesquisa online do EncuestaCuba, com amostra majoritariamente dentro da ilha, revelou que 94% dos cubanos estão insatisfeitos com o sistema de governo. Para 80,1%, a melhor opção é um modelo capitalista de democracia liberal e economia de mercado. Apenas 10,6% apoiam um sistema misto, e 1,2% preferem socialismo com reformas. Os principais problemas apontados são a falta de liberdades civis (82,2%) e a ineficiência do governo (74,8%). O embargo americano foi citado por apenas 4,7%.
O papel dos netos na transição
Raulito Castro, apelidado de Caranguejo, não ocupa cargo oficial, mas é visto como uma ponte entre a velha guarda e uma ala pragmática. Seu pai, o general Luis Alberto Rodríguez López-Calleja, comandava o GAESA, o conglomerado militar que controla a economia. Outro neto, Sandro Castro, filho de Fidel, defende a economia de mercado e o retorno dos exilados. A transição, no entanto, depende dos generais, que detêm o poder real.
O regime socialista cubano, que inspirou a esquerda latino-americana, entrou em colapso por suas próprias deficiências. Trump, com sua política de pressão e negociação, acelera o processo, mas o desfecho ainda é incerto.



