Mercado de apostas preditivas: polêmicas e riscos no novo filão bilionário
Mercado preditivo: polêmicas e riscos do novo filão

Desde as civilizações antigas, o hábito de apostar já existia. Egípcios arriscavam bens no senet, enquanto romanos apostavam em lutas de gladiadores. Agora, o mercado de apostas online entra em nova fase com os chamados mercados preditivos, onde se especula sobre eleições, geopolítica e até eventos inusitados, como o suposto retorno de Jesus Cristo.

O que é o mercado preditivo

O mercado preditivo funciona como uma bolsa de valores: os usuários compram e vendem contratos que pagam até US$ 1 se o evento ocorrer. As plataformas, como a americana Kalshi e a Polymarket, atuam como intermediárias. Diferente das bets tradicionais, onde o site define as odds, aqui os participantes duelam entre si: quem perde paga.

Boom com a guerra no Irã

Nas últimas semanas, o volume de apostas disparou 400% com a guerra no Irã. Os usuários apostam em tudo: local do próximo ataque, duração da trégua, etc. Em média, 600 mil usuários por mês respondem a perguntas como “A China vai invadir Taiwan?” ou “Aliens existem?”.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

Controvérsias e riscos

Um dos pontos mais espinhosos é o uso de informações privilegiadas. Donald Trump Jr., filho do presidente, tornou-se consultor remunerado da Kalshi e investiu na Polymarket, gerando suspeitas. Casos recentes acirram a polêmica: um soldado americano lucrou US$ 500 mil ao acertar a captura de Nicolás Maduro, sendo indiciado por insider trading.

Críticas e regulamentação

Mais de 50 países proíbem essas operações, mas usuários burlam o bloqueio com VPN. No Brasil, a partir de 4 de maio, o governo federal proíbe o mercado preditivo até que haja legislação. A Kalshi, cofundada pela brasileira Luana Lopes Lara, anunciou consórcio com a XP para oferecer apostas em indicadores econômicos. A B3 também entrou na roda, com apostas financeiras para investidores profissionais.

Impacto social

O mercado preditivo movimentou US$ 40 bilhões em 2025 e pode chegar a US$ 1 trilhão em cinco anos. No Brasil, as apostas online já são o principal fator de endividamento das famílias. Especialistas alertam para a espetacularização da tragédia: milhares apostaram na morte de um piloto americano abatido no Irã. “Apostar dá a ilusão de controlar o futuro”, diz a psicanalista Renata Bento, mas essa ilusão não faz bem a ninguém.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar