O exército de Israel emitiu nesta terça-feira, 28, ordens de evacuação imediata para moradores de dezesseis cidades no sul do Líbano, ampliando as tensões na fronteira mesmo após o cessar-fogo temporário firmado entre Tel Aviv e Beirute. A medida, justificada por supostas violações do Hezbollah, milícia libanesa apoiada pelo Irã, ocorre em meio à continuidade de ataques israelenses no território libanês e a denúncias de que militares do Líbano foram atingidos durante missão de resgate de civis.
Detalhes da ordem de evacuação
Em comunicado divulgado no X (antigo Twitter), o porta-voz militar israelense Avichay Adraee orientou residentes de localidades como Tebnine, Shaqra, Braachit, Aita al-Jabal e Deir Kifa a deixarem imediatamente suas casas e seguirem para o norte, em direção à cidade de Sidon. Segundo Israel, a ordem foi emitida devido a supostas “violações do cessar-fogo pelo Hezbollah”. “O Exército não tem intenção de lhes fazer mal”, afirmou Adraee, alertando, porém, que qualquer pessoa próxima a integrantes do grupo armado, suas infraestruturas ou equipamentos militares estaria em risco.
Ataque atinge soldados libaneses
Também nesta terça-feira, o Exército libanês informou que dois soldados ficaram feridos em um “ataque direcionado” israelense enquanto participavam de uma operação de resgate de civis na cidade de Majdal Zoun, no sul do país. Segundo comunicado oficial, a patrulha militar estava acompanhada por equipes da defesa civil e tratores civis quando foi atingida. O incidente eleva ainda mais a tensão na região, que já enfrenta uma crise humanitária severa.
Cessar-fogo e escalada do conflito
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, havia anunciado em 17 de abril um cessar-fogo inicial de dez dias entre Israel e Líbano, posteriormente estendido por mais três semanas diante da persistência da instabilidade regional. Apesar disso, Israel manteve operações militares no território libanês, justificando suas ações como respostas a movimentações do Hezbollah. Na semana passada, Trump afirmou ter tentado impedir novos bombardeios israelenses no Líbano, mas os ataques continuaram.
Antes da trégua, a ofensiva israelense iniciada em 2 de março deixou ao menos 2.509 mortos e 7.755 feridos no Líbano, segundo dados oficiais. Mais de 1,6 milhão de pessoas foram deslocadas, aprofundando a crise humanitária no país e pressionando ainda mais sua já fragilizada infraestrutura civil. A nova ordem de evacuação é vista como mais uma escalada nas repetidas violações da trégua, aumentando o risco de um novo ciclo de violência na região.



