Irã só reabrirá Estreito de Ormuz após fim definitivo da guerra com EUA
Irã reabrirá Estreito de Ormuz só após fim da guerra com EUA

Irã condiciona reabertura do Estreito de Ormuz ao fim da guerra

O Irã declarou que só reabrirá completamente o Estreito de Ormuz após o fim definitivo da guerra com Israel e os Estados Unidos. A informação foi divulgada pela agência de notícias iraniana Fars News nesta quarta-feira, 29 de abril de 2026. O vice-ministro da Defesa do Irã, Reza Talaei-Nik, afirmou que a retomada do trânsito de navios comerciais depende de garantias de que a segurança iraniana não será comprometida.

“Permitir o trânsito tranquilo de navios comerciais estará na pauta após o fim da guerra, desde que sejam observados protocolos que não comprometam a segurança do Irã”, declarou Talaei-Nik. O estreito, por onde passa 20% do comércio mundial de petróleo e gás em tempos de paz, foi fechado pelo Irã durante o conflito com Israel e os EUA. A Marinha americana também impôs um bloqueio naval na região.

Declarações de Trump sobre contato com Teerã

Na terça-feira, o presidente americano, Donald Trump, afirmou que o Irã entrou em contato com seu governo pedindo que a Marinha dos EUA levante o bloqueio contra navios e portos iranianos ao redor do Estreito de Ormuz “o mais rápido possível”. Teerã não comentou a suposta comunicação. Trump escreveu em sua rede Truth Social: “O Irã acaba de nos informar que está em ‘estado de colapso’. Eles querem que ‘abramos o Estreito de Ormuz’ o mais rápido possível, enquanto tentam resolver sua situação de liderança”.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

Proposta de cessar-fogo e questão nuclear

Os comentários de Trump surgem após Teerã apresentar, na segunda-feira, 27 de abril, uma nova proposta de cessar-fogo permanente que prevê a reabertura imediata do estreito. A questão nuclear, principal ponto de tensão com Washington, assim como o programa de mísseis de longo alcance e o alívio das sanções americanas, ficariam para negociações posteriores. Os aiatolás disseram estar dispostos a discutir o tema nuclear, mas apenas com o fim do bloqueio americano.

Trump debateu a proposta com sua equipe de segurança nacional na segunda-feira. Segundo o portal Axios, nenhuma decisão foi tomada, mas uma fonte indicou que Trump não parecia inclinado a aceitar a oferta. A porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, afirmou que a entrega do estoque de urânio enriquecido, estimado em 440 quilos e escondido em instalações subterrâneas, continua sendo prioridade do governo.

Impacto econômico global

Economicamente, a guerra já causa a pior crise energética já enfrentada pelo mundo, segundo o diretor da Agência Internacional de Energia (AIE), Fatih Birol. “Se combinarmos esta crise do petróleo com a crise do gás envolvendo a Rússia, já é uma crise enorme, mas não se trata apenas de petróleo e gás; também de fertilizantes, produtos petroquímicos, enxofre”, explicou Birol à rádio France Inter. “Todos esses produtos estarão em falta, impulsionando a inflação mundial, particularmente em países emergentes e em desenvolvimento, e isso desacelerará o crescimento.”

No início do mês, Birol já havia classificado a crise global de petróleo e gás como “mais grave do que as de 1973, 1979 e 2022 juntas”, destacando a magnitude sem precedentes da perturbação no fornecimento global de energia, que provoca impactos amplos na inflação, nos preços dos combustíveis e nas economias mundiais.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar