O Irã apresentou uma nova proposta de acordo de paz em meio ao bloqueio naval imposto pelos Estados Unidos, que já causou prejuízos estimados em US$ 4,8 bilhões (cerca de R$ 24 bilhões), conforme informações do Pentágono divulgadas pelo site norte-americano Axios nesta sexta-feira (1º).
Bloqueio e impactos econômicos
A medida foi determinada pelo presidente Donald Trump em 13 de abril, com o objetivo de pressionar a economia iraniana e forçar um acordo favorável aos americanos. Desde o início do bloqueio, mais de 40 navios cargueiros foram impedidos de entrar ou sair de portos iranianos. Desses, 31 são petroleiros que transportavam 53 milhões de barris de petróleo, avaliados em US$ 4,8 bilhões. Além disso, dois navios foram interceptados e apreendidos por militares dos Estados Unidos.
O bloqueio tem obrigado o Irã a abastecer navios antigos com petróleo, já que os armazéns usados para estocar a produção estão completamente cheios. O país também tem recorrido a rotas alternativas, mais longas e caras, para escoar o petróleo.
Posição de Trump e impasse no Estreito de Ormuz
Mais cedo, Trump enviou uma carta ao Congresso afirmando que os ataques ao Irã estavam "encerrados". Ao mesmo tempo, justificou a manutenção de forças americanas no Oriente Médio, considerando que o país continua sendo uma ameaça. Em um evento na Flórida, o presidente indicou que não pretende retirar as tropas da região até que o Irã se comprometa a não desenvolver uma bomba nuclear. "Eles não estão apresentando o tipo de acordo que a gente precisa, e vamos resolver isso do jeito certo. Não vamos sair antes e depois ver o problema reaparecer em três anos", disse.
Trump também afirmou não estar satisfeito com a última proposta de acordo de paz enviada pelo Irã. "Tivemos uma conversa com o Irã. Vamos ver o que acontece, mas eu diria que não estou satisfeito... Eles precisam apresentar o acordo certo. Neste momento, não estou satisfeito com o que estão oferecendo", declarou.
Embora o cessar-fogo tenha interrompido em grande parte os combates, Estados Unidos e Irã seguem em impasse no Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de um quinto do petróleo e gás comercializados no mundo em tempos de paz. O bloqueio da Marinha dos EUA, que impede petroleiros iranianos de sair para o mar, tem abalado a economia do país. Ao mesmo tempo, a economia global também sofre pressão, enquanto o Irã mantém controle sobre o estreito.
No início da semana, Trump disse ao Axios que havia rejeitado a proposta iraniana de reabrir o estreito em troca do fim do bloqueio naval dos EUA a portos iranianos.



