Irã e EUA retomam negociações neste sábado após semana de intensa diplomacia
Irã e EUA retomam negociações neste sábado

As negociações entre o Irã e os Estados Unidos deverão recomeçar neste sábado (25), após uma semana de intenso vaivém diplomático para encontrar uma solução para o conflito entre os rivais. Até o formato das conversas é objeto de disputa.

Movimentações diplomáticas

Nesta sexta-feira (24), o chanceler iraniano, Abbas Araghchi, anunciou que irá ao Paquistão. Segundo a mídia estatal do Irã, ele não se encontraria com representantes americanos, mas sim apresentaria as propostas de Teerã aos anfitriões, que as repassariam a Washington. Poucas horas depois, integrantes do governo americano informaram a diversos veículos que dois negociadores estavam a caminho de Islamabad: Steve Witkoff e Jared Kushner, genro do presidente Donald Trump, que cuida dos interesses empresariais do sogro mesmo sem cargo oficial.

Ficou de fora, provavelmente por dificuldades de segurança de última hora, o vice-presidente J. D. Vance, que Trump havia anunciado como pronto para voar ao Paquistão. Vance comandou, ao lado de Witkoff e Kushner, a rodada fracassada de conversas entre os rivais há duas semanas em Islamabad.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

Outros destinos de Araghchi

Araghchi disse na rede social X que irá também a Omã, país que mediava as conversas com Washington antes da guerra e acabou sendo alvo de retaliação iraniana durante o conflito, apesar de Teerã afirmar que não tinha intenção de atacar. Depois, voará para a Rússia, onde tem em Vladimir Putin um aliado.

Contexto do conflito

Na terça-feira (21), Trump adiou por tempo indefinido a trégua que havia estabelecido no dia 7 com o Irã, após cinco semanas de ataques americanos e israelenses ao regime islâmico. As conversas iniciais em Islamabad ocorreram logo em seguida. A prioridade de Trump, entre tantas anunciadas ao longo da guerra, era a reabertura do estreito de Hormuz, vital para o mercado global de energia.

O trânsito de petroleiros e outros navios havia caído a 10% do usual com o conflito. O Irã manteve o controle, minando parte da região para obrigar o estabelecimento de uma rota por suas águas, com pedágio para embarcações. Os EUA buscaram combater isso com um bloqueio próprio contra navios indo e vindo de portos iranianos. Com isso, Teerã rejeitou a ideia de negociar.

Trump desistiu de retomar a guerra, o que deveria ocorrer com o fim do cessar-fogo na terça, mas manteve o embargo. O Irã se apegou ao que chama de violação de trégua para rejeitar negociações diretas.

Formato das conversas

Resta saber se haverá encontro direto entre Araghchi e os americanos, ou uma repetição do modelo de negociações sob mediação de Omã, quando as equipes trocavam mensagens em salas separadas por meio de um terceiro.

Em entrevista sobre o conflito, o secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, disse apenas que "o Irã sabe que ainda tem uma janela aberta para escolher sabiamente à mesa de negociações". "Tudo o que eles precisam fazer é abandonar o desejo de ter uma arma nuclear de forma séria e verificável", afirmou.

Hegseth insiste que a entrada e saída de Hormuz estão sob controle americano e que o bloqueio se estende a qualquer ponto dos oceanos. Na quinta-feira, os EUA anunciaram ter abordado um navio com petróleo iraniano sob sanção no oceano Índico, um dia após o Irã apreender dois cargueiros perto de sua costa.

Programa nuclear iraniano

A questão do programa nuclear iraniano é o casus belli mais citado neste conflito. Em 2018, Trump abandonou um arranjo em que Teerã renunciava à bomba. O acordo limitava as capacidades de enriquecimento de urânio por 15 anos sob supervisão da ONU. Os EUA alegaram que o Irã poderia violar o acordo a qualquer momento.

Agora, pelos termos que transpareceram das conversas antes e depois da guerra, podem acabar aceitando algo semelhante. Teerã quer em troca o fim de sanções econômicas, como no acordo de 2015.

Estreito de Hormuz

A complicação é Hormuz, que não estava na mesa antes. O Irã quer manter o pedágio e o controle, algo rejeitado por americanos e aliados árabes dos EUA. Uma solução intermediária poderia ser uma cobrança dupla, da teocracia e também de Omã, que fica na margem sul do estreito, mas os países do golfo Pérsico são contrários.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar

Há diversos outros itens, como a eventual reparação pela destruição da guerra e o programa de mísseis de Teerã. Mesmo com seu governo decapitado e as Forças Armadas fortemente afetadas pelos bombardeios, a teocracia manteve capacidade de lançar drones e mísseis contra Israel e os vizinhos árabes.