O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, terá um encontro com o presidente da Rússia, Vladimir Putin, nesta segunda-feira, 27, após atribuir aos Estados Unidos a responsabilidade pelo fracasso das negociações mais recentes, realizadas no Paquistão em 11 de abril. O clima de expectativa sobre uma possível nova rodada de conversas permanece.
Contexto das negociações
Araghchi desembarcou em São Petersburgo para a reunião. Quase três semanas após o cessar-fogo que encerrou 40 dias de combates entre Irã, Israel e Estados Unidos, a Rússia continua sendo um dos principais pilares de apoio à República Islâmica. “A abordagem dos Estados Unidos fez com que a rodada anterior de negociações, apesar dos avanços, não alcançasse os objetivos”, declarou Araghchi, conforme citado pela imprensa estatal iraniana. O ministro também afirmou que a delegação americana apresentou “exigências excessivas”.
Estreito de Ormuz
O chanceler iraniano destacou que “a passagem segura pelo Estreito de Ormuz é uma questão global importante”. O Irã mantém fechada essa rota marítima crucial, uma medida que prometeu sustentar enquanto o bloqueio americano aos portos do país persistir. Antes de viajar à Rússia, Araghchi visitou Omã e Islamabad, capital do Paquistão, que sediou a primeira rodada de conversas e onde novas negociações com os EUA poderiam ocorrer. Ele também conversou por telefone com o chanceler turco, Hakan Fidan.
Reação americana
O presidente americano, Donald Trump, descartou no sábado a viagem de seus enviados Steve Witkoff e Jared Kushner a Islamabad, mas reiterou que a guerra “terminará em breve e sairemos muito vitoriosos”. A agência de notícias iraniana Fars informou que há diálogo ativo: Teerã teria enviado “mensagens escritas” a Washington por meio do Paquistão para definir suas “linhas vermelhas”, incluindo o programa nuclear e o controle sobre o Estreito de Ormuz.
Propostas e trégua
O portal americano Axios noticiou no domingo que o Irã enviou uma nova proposta para a reabertura da passagem e o fim da guerra, mas que adiaria as negociações sobre o enriquecimento de urânio. A agência estatal iraniana IRNA mencionou o relato sem negá-lo. A trégua na guerra contra o Irã é respeitada até o momento, mas seu impacto sobre a economia global persiste.
Movimentações diplomáticas
Araghchi se reuniu no sábado, em Islamabad, com uma delegação paquistanesa, incluindo o comandante das Forças Armadas, Asim Munir, o primeiro-ministro Shehbaz Sharif e o chanceler Ishaq Dar, antes de viajar para Omã e retornar à capital paquistanesa. O chanceler iraniano publicou no X (ex-Twitter) que as conversas em Omã se concentraram em garantir a passagem segura por Ormuz “para o benefício de todos os queridos vizinhos e do mundo”. “Nossos vizinhos são nossa prioridade”, afirmou. A Guarda Revolucionária iraniana, no entanto, informou que não pretende flexibilizar o bloqueio e que o controle do Estreito de Ormuz é sua “estratégia definitiva” na guerra contra os Estados Unidos.
Líbano: a outra frente
Israel e a milícia libanesa Hezbollah, apoiada pelo Irã, trocaram acusações sobre a violação da frágil trégua no Líbano. Ataques israelenses contra o sul do país deixaram 14 mortos no domingo, incluindo duas crianças. O Exército de Israel informou que um soldado morreu e seis ficaram feridos, enquanto o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu afirmou que suas forças lutam “vigorosamente” contra a milícia xiita, enquanto as duas partes reivindicavam ataques.
Histórico do conflito
O Hezbollah arrastou o Líbano para a guerra no Oriente Médio em 2 de março, quando lançou foguetes contra Israel em vingança pela morte do líder supremo iraniano, Ali Khamenei. Israel respondeu com bombardeios e uma invasão terrestre. As duas partes alcançaram uma trégua de 10 dias, mas Israel e o Hezbollah trocam acusações sobre violações. Netanyahu disse no domingo que o grupo armado estava “desmantelando a trégua”, enquanto os combatentes libaneses anunciaram que responderiam às violações israelenses e sua “ocupação contínua” do Líbano.
Vítimas e justificativas
Em um comunicado, o governo libanês informou que duas mulheres e duas crianças estavam entre os mortos nos ataques de domingo. Além disso, 37 pessoas ficaram feridas. Israel defendeu seu direito de agir contra “ataques planejados, iminentes ou em curso”. “Isto significa liberdade de ação não apenas em resposta aos ataques, mas também às ameaças imediatas e até ameaças emergentes”, disse Netanyahu.



