Surto de hantavírus em cruzeiro: OMS descarta pandemia e monitora casos
Hantavírus em cruzeiro: OMS descarta pandemia

As autoridades estão tomando precauções rigorosas, incluindo o uso de roupas de proteção, durante a evacuação dos passageiros do navio MV Hondius, que enfrenta um surto de hantavírus. A embarcação transportava viajantes de diversas partes do mundo, e três pessoas morreram a bordo ou após desembarcar. Quatro outras foram evacuadas para tratamento médico. Uma enorme operação de rastreamento está em andamento para localizar pessoas potencialmente expostas ao vírus, que já tomaram voos para seus países de origem, como Reino Unido, África do Sul, Holanda, Estados Unidos e Suíça. A Oceanwide Expeditions, operadora do cruzeiro, informou que não há brasileiros a bordo.

OMS descarta nova pandemia

Em atualização na quinta-feira (7/5), a médica Maria Van Kerkhove, da Organização Mundial da Saúde (OMS), enfatizou que o surto não representa o início de uma nova pandemia: "Isso não é covid, não é influenza, e se propaga de forma muito diferente". Ao contrário de doenças altamente contagiosas como o sarampo, a cepa andina do hantavírus não é tão infecciosa. A transmissão entre humanos é possível, mas o risco de infecções globais permanece baixo, segundo a OMS.

Como começou o surto?

Ainda não se sabe ao certo a origem do surto. O hantavírus é geralmente transmitido por roedores, através da inalação de partículas virais presentes na urina, fezes ou saliva dos animais. O cruzeiro visitava áreas selvagens remotas, e um passageiro pode ter entrado em contato com o vírus durante as escalas ou antes de embarcar. Especialistas acreditam que algumas infecções a bordo podem ter ocorrido por transmissão entre pessoas, devido às condições de habitação restritas, com cabines e áreas de alimentação compartilhadas.

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Casos confirmados e monitoramento

Até o momento, cinco casos de hantavírus foram confirmados no navio, segundo a OMS. Outros casos podem surgir devido ao período de incubação de até seis semanas. As três mortes incluem uma mulher holandesa que desembarcou na ilha de Santa Helena em 24 de abril e seu marido, que morreu a bordo no dia 11. Ainda não se sabe se ele é um caso confirmado. A Agência de Segurança da Saúde do Reino Unido (UKHSA) afirma que o hantavírus não se propaga em espaços públicos, lojas ou escolas.

Sintomas e tratamento

Os sintomas geralmente aparecem entre duas e quatro semanas após a exposição, mas podem demorar mais de um mês. Eles incluem febre, cansaço, dores musculares, dificuldades respiratórias, dores de estômago, náuseas, vômitos e diarreia. Existem testes para diagnosticar a infecção, mas não há tratamento específico; o suporte hospitalar pode aumentar as chances de sobrevivência.

Rastreamento de contatos

O trabalho de rastreamento é descrito como "um esforço hercúleo" pelo oficial de ciências chefe da UKHSA, Robin May. Passageiros britânicos que retornarem do navio devem ficar isolados por 45 dias. Para a população em geral, o risco é considerado "insignificante". A vice-diretora da UKHSA, Meera Chand, tranquiliza: "O risco para a população em geral permanece muito baixo".

Situação atual do navio

O MV Hondius navega em direção às ilhas Canárias, após ficar ancorado por três dias em Cabo Verde. Os passageiros restantes e a tripulação devem seguir de avião para seus países. Autoridades locais de saúde visitaram o navio, isolaram os passageiros e realizaram limpeza profunda. A Oceanwide Expeditions informou que nenhuma pessoa a bordo apresenta sintomas atualmente.

Casos no Chile

No Chile, a síndrome pulmonar por hantavírus é de notificação obrigatória. Em 2026, foram registrados 39 casos até 6 de maio, com 13 mortes (33% de mortalidade). A transmissão ocorre por inalação de partículas de roedores, especialmente em zonas rurais. A cepa andina, transmitida pelo rato-de-cauda-longa, pode ser transmitida entre humanos em contato próximo. O Ministério da Saúde do Chile mantém alerta epidemiológico desde janeiro.

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