Hantavírus em cruzeiro: 3 mortos e 150 isolados no MV Hondius
Hantavírus: 3 mortos e 150 isolados em cruzeiro

Quase 150 pessoas a bordo do navio de cruzeiro MV Hondius permanecem isoladas em alto-mar após a morte de três passageiros e o registro de outros casos suspeitos de hantavírus. A embarcação, que está próxima a Cabo Verde, teve o desembarque negado por autoridades locais devido ao risco à saúde pública.

Clima de tensão a bordo

Imagens obtidas pela agência Associated Press mostram o clima dentro do navio: corredores vazios, áreas comuns sem circulação e passageiros restritos às cabines. Poucas pessoas aparecem no convés, algumas usando máscaras. Equipes com equipamentos de proteção completos — macacões, botas e máscaras — foram vistas deixando a embarcação.

Segundo a Organização Mundial da Saúde, os passageiros foram orientados a permanecer isolados para reduzir o risco de transmissão enquanto medidas de desinfecção e controle são realizadas.

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Evacuação ainda sem definição

O MV Hondius pertence à empresa Oceanwide Expeditions e fazia uma viagem de várias semanas com destino à Antártida e a ilhas remotas do Atlântico Sul. A embarcação partiu de Ushuaia, no sul da Argentina, em 1º de abril.

Autoridades de Cabo Verde enviaram equipes médicas — incluindo médicos, enfermeiros e especialistas em laboratório — para prestar apoio à distância. Na capital, Praia, medidas de segurança foram reforçadas, especialmente na região portuária.

Ainda não há definição sobre quando os passageiros doentes serão retirados do navio. A OMS informou que a evacuação deve ocorrer para a Holanda, onde os pacientes receberiam tratamento. Diante da recusa inicial de Cabo Verde, uma das alternativas em discussão é seguir para as Ilhas Canárias, na Espanha.

Segundo Maria Van Kerkhove, diretora de preparação para epidemias da OMS, a tendência é que o navio siga para a região, em negociação com autoridades espanholas. O Ministério da Saúde da Espanha informou que monitora o caso junto com a OMS e outros países envolvidos, mas disse que ainda não decidiu qual porto receberá a embarcação.

Casos sob monitoramento

De acordo com a OMS, não houve registro de novos casos com sintomas recentes até o momento. A entidade afirma que a situação está sob monitoramento contínuo e envolve uma resposta internacional coordenada, com isolamento de casos, investigação epidemiológica e análises laboratoriais.

Autoridades de Cabo Verde destacaram que a prioridade é evitar qualquer risco para a população local. Segundo a Diretoria Nacional de Saúde do país, todas as equipes envolvidas na operação utilizam equipamentos de proteção máxima.

A empresa responsável pelo navio informou que o ambiente a bordo segue “calmo” e que os passageiros estão, em geral, tranquilos. O plano de resposta adotado está no nível mais alto e inclui isolamento, protocolos rígidos de higiene e acompanhamento médico.

O que se sabe sobre o hantavírus

O hantavírus é transmitido principalmente por roedores, por meio da inalação de partículas contaminadas presentes em fezes, urina ou saliva. Em casos raros, pode haver transmissão entre pessoas. Os sintomas podem demorar semanas para aparecer — em alguns casos, até oito semanas após a exposição. A doença pode evoluir para quadros graves, com comprometimento pulmonar.

Autoridades argentinas afirmaram que não havia registro de sintomas entre os passageiros quando o navio deixou Ushuaia, o que reforça a possibilidade de exposição durante a viagem. O caso segue em acompanhamento internacional, enquanto autoridades definem o destino do navio e a retirada dos pacientes.

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