Pela primeira vez em 20 anos, a Faixa de Gaza realizou eleições municipais, incluindo a cidade de Deir al-Balah, em um pleito considerado simbólico e com baixa participação eleitoral. Aliados do presidente da Autoridade Nacional Palestina, Mahmoud Abbas, do partido Fatah, conquistaram a maioria dos votos na Cisjordânia ocupada, enquanto em Gaza a vitória foi de candidatos alinhados ao Hamas, que não participou diretamente do processo.
Contexto das eleições
No sábado, 25 de abril de 2026, os palestinos foram às urnas para eleger representantes municipais em 420 conselhos nos territórios palestinos. Além dos municípios da Cisjordânia ocupada, a votação ocorreu em Deir al-Balah, no centro de Gaza, uma das áreas menos danificadas durante os quase dois anos de guerra entre Israel e Hamas. A Autoridade Palestina, sediada em Ramallah, afirmou que a inclusão de Deir al-Balah no pleito teve como objetivo demonstrar que Gaza é parte inseparável de um futuro Estado palestino.
Participação e resultados
Apesar de o Hamas não ter lançado candidatos formais, manteve influência indireta no processo, segundo analistas e moradores locais, que identificaram alinhamento político em algumas candidaturas. Na Cisjordânia, o Hamas boicotou a votação, avaliando que o Fatah já tinha vantagem previsível. O Fatah dominou as disputas na Cisjordânia, garantindo maioria qualificada nos parlamentos locais. Já em Deir al-Balah, a lista “Deir el-Balah Nos Une”, composta por candidatos próximos ao Hamas, conquistou 15 cadeiras no parlamento municipal, contra seis da lista “Nahdat Deir el-Balah”, apoiada pelo Fatah.
Simbolismo e baixa adesão
O pleito foi o primeiro em Gaza desde 2006, quando o Hamas venceu as legislativas, e o primeiro desde o início da guerra em outubro de 2023. A participação foi baixa: em Gaza, apenas 23% dos 70 mil eleitores convocados em Deir el-Balah compareceram. Na Cisjordânia, o comparecimento foi de 56%, segundo o presidente da Comissão Central de Eleições, Rami al-Hamdallah.
Reações oficiais
O primeiro-ministro palestino, Mohammad Mustafa, afirmou que as eleições ocorreram “em um momento altamente sensível, em meio a desafios complexos e circunstâncias excepcionais”, mas representaram “um primeiro passo importante em um processo nacional mais amplo destinado a fortalecer a vida democrática e, finalmente, alcançar a unidade da pátria”.



